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Atividade Física

Raí Training: do futebol para a academia

Junto com experts da preparação física, o ex-jogador Raí cria um método que adapta o treino dos campos para as salas de ginástica

Raí Training: do futebol para a academia


por Theo Ruprecht | design Pilker | fotos Sílvia Zamboni | ilustrações Rabisco Estudio | infográfico animado André Scatelli

 

Nos seus tempos de atleta profissional, Raí Souza Vieira de Oliveira precisava de fôlego, força e agilidade de sobra para fazer suas jogadas dentro das quatro linhas. Durante sua segunda passagem pelo São Paulo Futebol Clube, de 1998 a 2000, esses atributos, resultado de um excelente condicionamento físico, foram lapidados com a ajuda do preparador físico Carlinhos Neves, hoje no Atlético Mineiro e na seleção brasileira. "Foi um dos melhores preparadores que tive em minha carreira", elogia o craque de 46 anos. Daí que não hesitou em convidá-lo para um projeto inovador. "O Raí me chamou, disse que sentia falta dos treinamentos e que estava com uma ideia de moldar as atividades dos treinos para as salas de ginástica", lembra Carlinhos. "Enquanto ele falava, já fui rabiscando uma ou outra coisa."

Dessa e de muitas outras reuniões surgiu o Raí Training, oferecido apenas nas unidades da Companhia Athletica espalhadas pelo país. Consultora dessa rede de academias e diretora da Fitness Solution, Patrícia Lobato também contribuiu para a criação do método. "Os maiores desafios foram incluir as práticas do futebol dentro de ambientes fechados e bem menores do que um campo, além de ajustar a intensidade para alunos que não buscam performance, e sim bem-estar", destaca. Esse é o objetivo do Raí Training: por meio de atividades inspiradas no futebol, auxiliar na busca por saúde.

"Essa prática não simula uma escolinha de futebol. Na verdade, ela utiliza elementos desse esporte para motivar indivíduos a fazerem uma atividade física rotineiramente", enfatiza Carlinhos Neves. Aliás, esse estímulo é fundamental para aguentar o ritmo vigoroso das aulas - em 45 minutos, queimam-se até 600 calorias. E vamos ser francos: essa intensidade, por mais que possa ser diminuída até certo ponto, gera preocupação. "A proposta é muito válida, mas obesos, cardiopatas ou quem não está adaptado às mudanças de direção típicas do futebol devem ter cuidado especial, porque seu organismo pode sofrer com esse tipo de exercício", contrapõe Ricardo Nahas, médico do esporte do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. Por isso, ao se inscrever, passe por uma avaliação física, consulte um especialista e, acima de tudo, respeite seus limites. Assim, você evita problemas.

O Raí Training, claro, deixa as pernas bem torneadas. Mas não ativa tanto os músculos da barriga para cima. "Aos praticantes, as sessões de musculação com foco nos membros superiores são essenciais para equilibrar todo o corpo", nota o fisiologista Júlio Serrão, coordenador do Laboratório de Biomecânica da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo. "O sujeito também precisa caminhar ou correr regularmente. Isso serve como preparo para o treino e beneficia o sistema cardiovascular", indica Nahas.

Como o próprio Carlinhos Neves afirma, essa nova possibilidade de suar a camisa deve ser inserida dentro de um programa mais amplo de exercícios. Mas dá para dizer que ela, com os devidos cuidados, é uma senhora aliada da saúde. Se isso não for suficiente para incentivá-lo a levantar do sofá, saiba que, ao participar desse treinamento, você tem a chance de se deparar com um ídolo. "Eu com certeza participarei das aulas para manter a forma", promete Raí.

 

 

- As cinco fases do Raí Training

 

Aquecimento Consiste em trotes e exercícios leves, que preparam o corpo para as etapas seguintes.

Alongamento A meta é dar flexibilidade, protegendo contra lesões.

Desenvolvimento de potência e coordenação Os movimentos, feitos com bola, visam fortalecer os músculos e, com base em fundamentos do futebol, incrementar a agilidade.

Fase metabólica Os trajetos desafiadores obrigam o praticante a correr bastante, turbinando o pulmão e as pernas.

Desaquecimento O ritmo diminui aos poucos com brincadeiras como o bobinho. Essa desacelerada lenta minimiza complicações.

 

 

- No salão ou no campo?
Para os que jogam uma pelada, vale a advertência: tanto a grama como o chão duro oferecem riscos. "A irregularidade do gramado e o potencial para escorregões do piso artificial ameaçam as articulações", avisa Júlio Serrão. Que fique claro: o futebol pode ser benéfico, porém sempre é bom complementá-lo com sessões na academia.


Navegue no infográfico abaixo e confira os principais movimentos do método.

 


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