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Esmaltes: unhas lindas e sem riscos para sua saúde

O esmalte não sai das unhas da mulherada. Confira quais são os cuidados para usá-lo sem pintar chabu por Thaís Manarini | design Laura Salaberry | fotos Alex Silva

De uns tempos para cá, ele deixou de ser um mero cosmético para ganhar status de acessório, tornando-se tão importante quanto uma bolsa ou um sapato na composição do visual. O boom dessa tendência gerou, é claro, uma enxurrada de novos vidrinhos, com cores das mais variadas, além de estilos diferentes de pintura. Como resultado, as mulheres passaram a trocar de esmalte como quem troca de roupa íntima. O hábito, não há dúvidas, faz um bem danado para a autoestima. Mas será que o corpo sai ileso?

Segundo a dermatologista Denise Steiner, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), pincelar o produto todas as semanas e, consequentemente, abusar da acetona ou de outro removedor pode ressecar as unhas, deixando-as esbranquiçadas e causando sua descamação. Mas isso não é regra. "A principal questão não diz respeito ao número de vezes que o cosmético é utilizado, e sim se ele é capaz de desencadear reações alérgicas", pondera Denise.

O quadro, diga-se de passagem, não é raro. "Aproximadamente 10% da população tem alergia a esmaltes", conta a dermatologista Solange Pistori Teixeira, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Na maioria dos casos, ela está associada a um solvente chamado tolueno, responsável por acelerar a secagem. O formaldeído, substância que ajuda a conferir aderência e durabilidade ao produto, é outro que está por trás de reações - as mais importantes são vermelhidão e coceira nos dedos e nas áreas que sofreram contato, como mãos, rosto, pescoço e orelhas - enfim, onde você mais costuma passar as mãos. "A alergia pode aparecer em qualquer idade", faz questão de lembrar o dermatologista Beni Grinblat, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

As substâncias comumente identificadas como estopins de quadros alérgicos são consideradas tóxicas e, por isso, a inclusão na fórmula é restrita nos Estados Unidos, em países da Europa e também no Brasil. Vale lembrar que uma delas, chamada dibutilftalato, também foi tachada como potencialmente cancerígena. "Esses testes foram realizados com animais e em concentrações elevadas. Aqui, as empresas têm respeitado a legislação", assegura Josineire Sallum, gerente-geral de cosméticos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. "Quando isso não acontece, impedimos a comercialização do produto."

Já quando o assunto são unhas frágeis, a tática é ficar mais tempo com o mesmo esmalte. Isso porque o uso constante de itens para extrair o cosmético pode provocar esse estado de fraqueza generalizada. "Trata-se de produtos que têm a capacidade de penetrar na unha e dissolver estruturas que lhe conferem maleabilidade. Ela, então, se torna porosa, áspera e menos flexível", explica o farmacêutico e especialista em cosmetologia Maurício Pupo, da Consulfarma, em Campinas, no interior de São Paulo.

Como não dá para ficar eternamente com um único esmalte - a unha cresce, a cor desbota, alguns trechos lascam, a gente enjoa... -, uma estratégia para minimizar os estragos é optar pelo removedor. "Ele é menos prejudicial porque tem componentes hidratantes em sua composição, além de apresentar um pH mais compatível com o da pele", comenta Denise Steiner. Bem mais agressiva, a acetona resseca a pele e as unhas. "Sem contar que o cheiro forte do líquido pode irritar as vias aéreas superiores", completa.

Para as adeptas do péssimo costume de retirar o cosmético com os dentes, recorrendo ao removedor só para eliminar os fragmentos mais teimosos, fica o alerta: tal comportamento tende a causar danos como manchas brancas, depressões e até estrias. Mas, se nenhum desses cuidados não contribuir para unhas mais firmes e bonitas, o melhor a fazer é investigar outras possíveis causas para tamanha debilidade. "Deve-se considerar quadros como hipotireoidismo e anemia, além de outras carências nutricionais", informa a dermatologista Adriana Vilarinho, de São Paulo.

Portanto, esmaltar e esmaltar constantemente está longe de ser o fator que origina problemas na região. Algumas pessoas, é claro, precisam prestar mais atenção. E não estamos falando só dos alérgicos. Nas crianças, o ideal seria passar um esmalte à base de água, porque não contém solventes. Para as futuras mães, o recomendado é dar um tempo na manicure durante os primeiros três meses de gestação. Mesmo depois desse período, um pouco de cautela é mais do que bem-vindo. Seria interessante usar uma máscara no momento das pinceladas por causa dos solventes. Depois que eles evaporam e o produto seca, não há problemas. Ao menor sinal de complicações, procurar um especialista é imprescindível - um recado válido para todos.

Quando ele causa alergia

Geralmente, o tratamento é tópico, com medicamentos corticoides. "Às vezes é preciso apelar para antialérgicos orais", conta a dermatologista Solange Pistori Teixeira, da Unifesp. Resolvido o enrosco, as unhas só devem ser esmaltadas com produtos que não contenham as substâncias alergênicas.

Na hora de escolher

Se tiver uma coleção de esmaltes ou visitar o salão de beleza com frequência, preste atenção no prazo de validade informado no vidro. "A segurança do produto é garantida até essa data. Se estiver vencido, jogue fora", aconselha Josineire Sallum, gerente-geral de cosméticos da Anvisa. Caso a cor não esteja homogênea, não arrisque: muitas vezes é sinal de que alguma substância foi acrescentada ali.

fontes Beni Grinblat, dermatologista do Hospital Israelita Albert Einstein; Adriana Vilarinho, dermatologista de São Paulo; Maurício Pupo, farmacêutico especialista em cosmetologia, consultor da Consulfarma; Thaís Pepe dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia; e Claiton Guedes da Silva, da Associação Brasileira de Cosmetologia | produção Andrea Silva | esmaltes www.perfumariasumire.com.br

Mito ou verdade?
Vira e mexe as frases a seguir são ouvidas em salões de beleza. Veja se fazem sentido

 

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    Mito. O tão alardeado truque não passa de um grande mito. Isso porque a única diferença entre tons claros e escuros é a presença de pigmentos. De resto, a fórmula é exatamente a mesma.

    Esmaltes escuros deixam as garras mais resistentes

    Mito. O tão alardeado truque não passa de um grande mito. Isso porque a única diferença entre tons claros e escuros é a presença de pigmentos. De resto, a fórmula é exatamente a mesma.

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    Verdade. Em dias quentes, ajuda. É que quando a temperatura do corpo está elevada os solventes demoram a evaporar, mantendo o esmalte molhado e mais propenso à formação dessas deformidades. Mergulhar os dedos na água gelada evita o processo.

    Deixar as mãos na água fria evita bolinhas

    Verdade. Em dias quentes, ajuda. É que quando a temperatura do corpo está elevada os solventes demoram a evaporar, mantendo o esmalte molhado e mais propenso à formação dessas deformidades. Mergulhar os dedos na água gelada evita o processo.

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    Mito. É ba-le-la. Se elas estão com um tom diferente é porque o esmalte não foi removido direito. O que realmente provoca manchas é o cigarro.

    Usar coloridos com frequência mancha as unhas

    Mito. É ba-le-la. Se elas estão com um tom diferente é porque o esmalte não foi removido direito. O que realmente provoca manchas é o cigarro.

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    Mito. Essa espécie de isolamento não funciona porque o esmalte entrará em contato com a pele de qualquer maneira, causando reações.

    As alérgicas podem passar uma base hipoalergênica e qualquer esmalte por cima

    Mito. Essa espécie de isolamento não funciona porque o esmalte entrará em contato com a pele de qualquer maneira, causando reações.

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    Mito. Afinal, estamos falando de um tecido totalmente morto. Prova disso é que a gente não sente dor ao cortar as unhas. Portanto, pode trocar de cor sem intervalos.

    As unhas devem "respirar" antes da próxima ida à manicure

    Mito. Afinal, estamos falando de um tecido totalmente morto. Prova disso é que a gente não sente dor ao cortar as unhas. Portanto, pode trocar de cor sem intervalos.

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    Depende. Elas até ficam duras, mas o efeito é temporário. No final das contas, tornam-se mais quebradiças. Para fortalecê-las, o primeiro passo é caprichar na dieta.

    Produtos à base de formol fortalecem as unhas

    Depende. Elas até ficam duras, mas o efeito é temporário. No final das contas, tornam-se mais quebradiças. Para fortalecê-las, o primeiro passo é caprichar na dieta.

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    Verdade. De fato, o ideal é mantê-la intacta, já que se trata de uma barreira de proteção contra bactérias e fungos, micro-organismos que podem causar infecções.

    Não é bom tirar a cutícula

    Verdade. De fato, o ideal é mantê-la intacta, já que se trata de uma barreira de proteção contra bactérias e fungos, micro-organismos que podem causar infecções.


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