nutrição

Vida longa ao guaraná

O pó do fruto tipicamente brasileiro é a chave da longevidade de uma cidade que chamou a atenção do Brasil e do mundo por Manoel Gomes • fotos Alex Silva

Ficha técnica


Nome científico: Paullinia cupana


Origem: Floresta Amazônica


Parte utilizada: semente


Formas de consumo: pó, barra ou cápsula



O agricultor Milton Martins acorda cedo. Com uma disposição de dar inveja e uma alegria contagiante, já está de pé às 4 da madrugada para começar mais um dia de sua vida. Nascido e criado no município amazonense de Maués, a 267 quilômetros de Manaus, Martins tem uma relação bem próxima com o guaraná, fruto abundante na região. “Tomo o guaraná todos os dias por volta das 5 da manhã”, relata. Ele explica que uma colher de café do pó misturada com água já é mais do que suficiente. “Eu só tomo café da manhã às 9 horas. E sem fome”, diz. Depois de tanto trabalho na roça, seria natural que o aposentado aproveitasse o tempo livre para descansar. Ledo engano. “Quando cheguei aos 60, comecei a fazer natação e atletismo, o que me dá prazer e ânimo”, conta. Depois de iniciar a bateria de exercícios, não parou mais e, mesmo com o avançar das primaveras, nunca deixou de sacudir o esqueleto. Detalhe importante: ele tem 84 anos e sempre manteve o colesterol, a pressão, os triglicérides e o peso em ordem.

 

 

Maués, a terra do sempre


O caso de Milton Martins não é único nas cercanias de Maués. Em 2007, a quantidade de pessoas acima dos 80 anos chamou a atenção do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que investigou se todos os vovôs e vovós que usufruíam dos benefícios estavam mesmo vivos. E não era para menos: a taxa de indivíduos acima dos 80 no Brasil é de 0,5% em relação ao total da população. Na cidade dos longevos, o patamar está em 1%, o dobro da média nacional.

Diversos pesquisadores foram ao território localizado entre os rios Madeira e Tapajós. Depois de uma extensa coleta de dados, instituições brasileiras e estrangeiras se reuniram para avaliar o que fazia o povo daquele município viver mais e melhor. “Não vemos por aqui hipertensão, diabete ou outros males como o Alzheimer”, aponta a psicóloga e gerontóloga Alessandra Negreiros, coordenadora executiva do projeto.

“O caso de Maués é ainda mais significativo quando sabemos que a Organização das Nações Unidas considera idoso o indivíduo de 65 anos em países desenvolvidos e 60 nos subdesenvolvidos”, informa a bióloga geneticista Ivana da Cruz, da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. E é aí que vem a surpresa: “Quando falamos de comunidades indígenas, como as de Maués, velho é aquele que passa dos 50”, completa Ivana, uma das líderes da iniciativa. E, diante desse fenômeno, os especialistas identificaram o guaraná como um agente da boa saúde centenária.

Os benefícios do guaraná são obtidos com a ingestão de pequenas quantidades. “O consumo recomendado é mesmo só uma colher de café do pó por dia”, atesta o médico gerontólogo Euler Ribeiro, diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade, em Manaus. O ideal é dissolver essas partículas, encontradas em farmácias e supermercados, num copo com água e tomar de manhã. Em outros horários do dia, o fruto brasileiro pode causar irritação e até insônia, já que ele é prendado de muita energia.

Outro detalhe importante: os médicos recomendam acrescentar um pouco de açúcar ao preparado para barrar o sabor amargo e uma disposição exacerbada. Isso porque o guaraná tem a capacidade de sacudir os nervos. “Adoçar diminui os efeitos do cafeísmo, a exaltação excessiva do sistema nervoso”, declara Ivana da Cruz.

A doçura também aumenta a taxa de glicose no sangue, que costuma ser baixa na parte da manhã. Mas tome cuidado: o exagero nas colheradas adocicadas acaba com todas as benfeitorias da fruta vermelha. Para aqueles que sofrem com problemas cardíacos, uma visita ao médico nunca é demais. Esse especialista vai definir a porção segura de consumo. Confira agora quais são as principais vantagens desse verdadeiro super-herói da longevidade.

 



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