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Chega de ranger os dentes

Esse distúrbio, nocivo às estruturas dentárias, é comum entre crianças. Estudiosos dizem que o perfil psicológico é o grande responsável pelo hábito por Caroline Randmer • design Laura Salaberry • fotos Alex Silva

A notícia veio há quase dois anos: a pequena paulistana Giovanna Mascaros, na época com 4, ia ganhar uma irmã. A partir daí, passou a ranger os dentes enquanto dormia. Esse movimento involuntário da mandíbula, que na maioria das vezes ocorre quando a gente adormece, recebe o nome de bruxismo e atinge aproximadamente 19% dos garotos e garotas. Se for persistente, desgasta os dentes, modifica a estrutura óssea temporomandibular — a área entre o osso temporal e a mandíbula — e até aumenta a pressão na cabeça.

No caso de Giovanna, a suspeita foi de que a alta carga emocional da novidade teria desencadeado o baticum da dentição — e o bruxismo teria sido a maneira de extravasar os nervos. "Muitas vezes o ranger dos dentes é o sintoma de um problema maior", explica José Eduardo de Oliveira, odontologista da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, no interior do estado. O distúrbio pode ser um reflexo da ansiedade e da irritação infantil. "Isso comprova que não se deve encarar problemas psicológicos e fisiológicos de formas distintas", diz a psicóloga Ana Carolina Peuker, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Em outras palavras, as reações físicas sempre estão fortemente ligadas às emoções.

Mas por que, inconscientemente, os pequenos exteriorizam o nervosismo rangendo os dentes? "Durante os primeiros anos, a boca é o portal para a vida", explica a odontologista Kranya Victoria Díaz- Serrano, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, no interior do estado. "É pela sucção, enquanto são amamentadas, que as crianças resolvem suas necessidades físicas e emocionais", complementa José Eduardo de Oliveira. Por isso que, quando ou o menino ou a menina se sentem incomodados ou frustrados, a mente às vezes entende que estimular fricções dentárias na calada da noite seria um jeito de recuperar a serenidade.

Sono tranquilo

A atenção dos pais e professores é essencial para o diagnóstico correto. Já o tratamento pede uma abordagem multidisciplinar. O primeiro passo é o uso da placa de mordida — desenvolvida pelo dentista —, que se encaixa na superfície dentária para evitar o desgaste. Depois é preciso entender qual foi o estopim para o hábito. Vale procurar um psicólogo nessa hora. "A criança vai precisar expandir o repertório comportamental para enfrentar tensões, participando de grupos ou viajando", aconselha Ana Carolina Peuker. "Já a fonoaudiologia pode auxiliar no relaxamento muscular e na mobilidade da mandíbula", conta a fonoaudióloga Ana Lucia Kozonara, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. "Durante o tratamento, deve-se evitar gomas de mascar e alimentos duros, que exigem muito da musculatura bucal", complementa Kranya. Como os pais de Giovanna detectaram o problema logo no início, seus dentes não apresentam tanto desgaste. Agora, mais importante do que nunca, são as visitas regulares à cadeira do dentista.

O bruxismo pode causar:

Dores de cabeça
A estrutura muscular da cabeça está conectada com a da mastigação. O estímulo excessivo a deixa tensa e isso dispara as dores.

Zum-zum no ouvido
A rigidez nos músculos instiga o zumbido como forma de igualar a pressão na cabeça.

Dores musculares
Por causa das contrações constantes, a musculatura fica cansada. Daí, é normal acordar com a bochecha dolorida.

Desgaste do sorriso
A força do apertamento compromete o esmalte dentário e pode até causar fissuras e quebras. Quando isso acontece, o dente fica mais sensível a temperaturas altas e baixas.

Problemas na articulação
O bruxismo pode desencadear a disfunção da articulação temporomandibular, com deslocamento da mandíbula, estalos e dores na região.

Mastigação noturna
Às vezes, o hábito de mastigar enquanto dormimos pode ser confundido com outros distúrbios relacionados ao sono, como o próprio bruxismo. "Mas a mastigação noturna involuntária é causada por vermes que vivem em nosso intestino", diz o odontologista José Eduardo de Oliveira. É importante ressaltar que todo mundo faz esse tipo de movimento durante o sono. Então, não é preciso se alarmar caso seu filho pareça mastigar algo enquanto dorme, de vez em quando — a não ser que o problema passe a incomodar. Aí vale procurar um especialista e realizar exames para checar uma eventual verminose.



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