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Sempre Quis Saber- O que acontece no corpo de um BBB que enfrenta provas de resistência sem a devida preparação?

Por Manoel Gomes

Os músicos da banda de heavy metal australiana AC/DC já diziam em uma de suas músicas de maior sucesso, o hit It’s a long way to the top (If you wanna rock’n’roll): é preciso percorrer um longo e árduo caminho para chegar ao topo. No caso do reality show global Big Brother Brasil, para engordar a conta com 1,5 milhão de reais, o trajeto é muito complicado. E, nessa longa estrada, as provas de resistência são os grandes obstáculos a serem superados.

Geralmente durante essa espécie de teste, os candidatos a milionários têm de permanecer num mesmo lugar sem beber água ou comer durante muitas horas. O sobrevivente desse martírio é o líder da semana, que ganha imunidade e indica um de seus companheiros para o paredão. Algumas provas causaram polêmica: os brothers e sisters já tiveram de ficar dentro de carros, gaiolas, dançando –– o recorde do programa, já que a prova durou praticamente um dia inteiro ––, dentro de um buggy e até vestidos de frangos num forno gigante.

Ficar parado horas e horas em uma mesma posição ou repetir os movimentos de um único exercício exigem um bom preparo físico. Mas o que acontece com um brother que não está pronto para enfrentar uma maratona dessa natureza? A dentista Fernanda Cardoso, que integrou o elenco do Big Brother Brasil 10, foi a última participante a vencer esse tipo de desafio naquela edição do programa. Ela teve de ficar em pé sobre um cubo segurando uma chave gigante durante 2 horas e 20 minutos. “No dia que tinha prova, acordava já na adrenalina e procurava me preparar. Sempre tentava descansar à tarde e à noite comia algo mais calórico”, diz Fernanda. “Vestia uma roupa de ginástica confortável, passava repelente, protetor solar e aproveitava para ir ao banheiro sempre que possível.”

A dentista também conta como se sentia durante a competição: “O primeiro sintoma era o desconforto. Depois vinham as dores físicas. Eu me concentrava em contrair o abdômen e não sobrecarregar as costas”. Ela procurava tirar o foco da dor. “Tentava pensar em outras coisas. Até cantava, para desespero dos meus colegas”, brinca. Segundo Bruno Gualano, professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, a USP, as provas de resistência que duram muitas horas podem ocasionar diversos problemas a essa irmandade corajosa. “Os principais são a desidratação e a fadiga física e mental, sobretudo se a pessoa não puder se locomover ou estiver em um local fechado”, explica Gualano. Outro perrengue que pode vir à tona é a hipertermia, ou seja, a temperatura corporal pode subir além da conta, o que provoca tonturas e desmaios.

Marco Túlio Saldanha, Presidente da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva, acredita que nem sempre a pessoa que está fisicamente mais preparada para provas de resistência sai dela como o vencedor: “Assim como em esportes individuais, as reações psicológicas ao esforço e ao desafio são muito importantes no sucesso da tarefa”. Além da desidratação, Saldanha cita a inação, que é um estado provocado pela ausência de nutrientes devido ao longo jejum e ao gasto energético induzido pela própria atividade. Sem contar as juntas e os músculos, que também podem padecer na hora agá, em razão da sobrecarga física.

De acordo com Mauro Guiselini, professor da Faculdade de Educação Física das Faculdades Metropolitanas Unidas, a FMU, em São Paulo, nosso organismo tem alguns mecanismos de defesa que revelam nosso limite. “Se o indivíduo é jovem, ele consegue suportar uma prova por um bom período. Mas chega uma hora que começa a sentir uma dor aguda que o impede de continuar”, descreve o educador físico. Com o avançar dos ponteiros do relógio, o corpo, por exemplo, começa a perder água e os níveis de açúcar no sangue despencam, favorecendo a ocorrência de uma hipoglicemia.

Guiselini chama a atenção para a importância do aspecto emocional nesses momentos. “Os participantes conseguem superar os limites do corpo por causa da motivação que o dinheiro e a exposição na TV trazem”, acredita. Os três especialistas concordam que, depois de encarar a competição, é preciso se reidratar, alimentar-se bem e repousar. “Recuperar, recuperar e recuperar. Descanso em ambiente fresco, confortável e escuro depois de comer e beber bastante água são o recomendado”, finaliza Saldanha.


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