MEDICINA Mais de medicina >>
“Eu tenho a voz.” A frase é proferida pelo Rei George VI (1895-1952), interpretado pelo ator inglês Colin Firth, em um dos pontos altos do filme O Discurso do Rei, que estreia nesta sexta-feira, 11 de fevereiro, nos cinemas. Por si só, ela carrega um forte significado, já que vem de um monarca que lideraria o Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial (1940-1944) — afinal, convencer todos os britânicos de sua capacidade em um período tão conturbado não era nem de perto uma tarefa fácil. Mas a sentença proferida ganha ainda mais peso quando se sabe que George VI, também conhecido como príncipe Albert, sofria com uma intensa gagueira.
Esse tipo de disfluência não é privilégio da nobreza. Atualmente, 5% da população mundial a carrega de maneira passageira, geralmente dos primeiros anos de vida até os 12 anos. Já 1% sempre irá conviver com o problema. “Para falar, vários circuitos cerebrais são envolvidos. É preciso escolher as palavras, organizá-las e até saber como entoá-las”, afirma a fonoaudióloga Inês Maia Ribeiro, presidente do Instituto Brasileiro de Fluência (IBF). “Uma pessoa com gagueira tem dificuldade para unir tudo isso. É um problema de sincronia que ocorre no cérebro”, completa.
Em torno de 55% dos casos, esse distúrbio tem origem nos genes. O restante vem de traumas ou de males como o famoso acidente vascular cerebral. É que se ele atingir uma região específica do encéfalo pode culminar em bloqueios na hora de se comunicar. Com tudo isso, já deu para perceber que a questão não está na boca, no nariz, na língua ou nas cordas vocais, por mais que, em última instância, sejam eles os responsáveis por emitir o som. “Já se chegou a usar métodos extremamente arcaicos para lidar com a gagueira, como colocar próteses na língua”, revela Clara Rocha, fonoaudióloga do Grupo Microsom, em São Paulo. Sabe quem teve que passar por isso? George VI.
Sorte que, depois de submetido a técnicas hoje sabidamente ineficientes, o rei conheceu o terapeuta Lionel Logue, interpretado no longa metragem pelo australiano Geoffrey Rush. Ele seria o que hoje chamamos de fonoaudiólogo. São esses profissionais que possuem o conhecimento necessário para atenuar os efeitos desse curto circuito na massa cinzenta. “Por meio de técnicas específicas, tentamos ativar outras vias no cérebro”, aponta Clara. “Há pesquisas científicas mostrando que, após o tratamento, as áreas cerebrais de um indivíduo com esse problema estão mais parecidas com as de sujeitos fluentes”, corrobora Inês. Durante as sessões, a musculatura responsável pela fala, muitas vezes desequilibrada em decorrência da pane na cabeça, também é trabalhada para relaxar e fazer seu serviço a contento.
Hoje, sabe-se da importância do diagnóstico precoce. “Se a criança ficar mais de seis meses gaguejando, procure um especialista”, recomenda Inês. Isso porque, quanto mais cedo começa o tratamento, maiores são as chances de controlar o transtorno. Ele pode não ter cura, porém, como bem mostrou o Rei George VI, não impede ninguém de compartilhar sua ideias, suas histórias e a sua saúde com muita gente.
A tecnologia contra a gagueira
Desde 2008, o Grupo Microsom comercializa no Brasil um aparelho com o nome de Speech Easy. Colocado na orelha, ele auxilia a atenuar os bloqueios na língua. “Quem o usa, ouve sua própria voz com uma frequência diferente e ligeiramente atrasada”, explica a fonoaudióloga Clara Rocha, da empresa que vende o produto. É como se você ouvisse outra pessoa expressando o que você acabou de dizer. Seria uma espécie de dica que o cérebro recebe para o que será falado a seguir. Apesar de o aparelho ser novo, a técnica já é usada há muito tempo pelos fonoaudiólogos — tanto que até possui um nome: efeito coro. No consultório, por exemplo, eles leem um trecho junto com o paciente e observam melhoras significativas.
“Entretanto, não são todos os que se beneficiam do Speech Easy. As os que não melhoram nada e os que sentem muito incômodo. Afinal, todos os sons são alterados”, contrapõe Inês Maia Ribeiro, presidente do IBF. “E é um produto caro”, arremata. Atualmente, ele custa R$ 9 900 reais.
Superação
Veja abaixo outras celebridades que passaram por cima da gagueira e chegaram ao sucesso
Bruce Willis, Julia Roberts, Lewis Carroll, José Saramago, Marilyn Monroe, Murilo Benício
Links que valem a pena
>> O trailer de O Discurso do Rei
>> Entrevista com Colin Firth sobre sua atuação como Rei George VI
As legendas são cortesia do IBF. Para ver outros vídeos sobre gagueira, entre no www.youtube.com e procure por “Instituto Brasileiro de Fluência”
Foto: Divulgação
Home Nesta edição Matérias e extras do mês Edições anteriores Sumários Emagreça com Saúde! Newsletter Quero assinar
Dieta dos pontos Calculadora Tabela de pontos Nutrição Matérias 7 diferenças Bom-apetite Receitas Família Matérias Ai mamãe
Medicina Matérias Maturidade Alternativa Bem-estar Matérias Segredos de Spa Corpo Matérias Qual engorda menos Colunas Emagreça com saúde
Bichos Matérias Boa pergunta Especiais Diabete Pare de fumar AVC Nutrição infantil Tireóide Doenças celiaca Verão Colesterol
Assinaturas Animações Dúvidas freqüentes Termos de uso Política de Privacidade Fale conosco Expediente Testes Loja