Como você reagiria se, de um dia para o outro, mudasse de casa, ficasse privado do contato com amigos e familiares, sem notícias do mundo lá fora, e ainda permanecesse vigiado por câmeras espalhadas por todos os lados e obrigado a conviver com gente que nunca viu na vida? Não bastassem tantas provações, você também teria que se submeter a testes que exigem coragem, força de vontade e resistência, além de lidar com a ameaça constante de ser eliminado do jogo.
Se não fossem as chances de virar uma estrela e embolsar um prêmio de 1,5 milhão de reais, só um louco entraria numa brincadeira dessas. Mas, para ganhar os holofotes ou toda a grana, os participantes do Big Brother Brasil têm que vencer um inimigo que mora dentro do seu corpo: o estresse. De acordo com a psicanalista Marion Minerbo, doutora em medicina pela Universidade Federal de São Paulo, o programa global simula uma luta pela sobrevivência, o que naturalmente gera tensão. "Não dá para saber até que ponto essa carga de estresse é prejudicial a eles. Mas, se não houvesse esse nervosismo, o jogo perderia a graça", diz.
Sob alta tensão
Em um primeiro momento, o organismo do candidato reconhece qual é o desafio — uma prova de resistência, uma briga ou um paredão — e ativa os sistemas nervoso e endocrinológico. Isso repercute para valer no hipotálamo, uma região do cérebro que gerencia diversas atividades no corpo. Ele envia uma mensagem para as glândulas adrenais, que ficam acima dos rins, e elas passam, então, a liberar os hormônios do estresse: a adrenalina e o cortisol.
Essa dupla está por trás de várias mudanças no organismo. Sob a influência dela, as pupilas dos olhos se dilatam, o processo de digestão torna-se mais lento, os batimentos cardíacos se aceleram e ainda há um aumento nas taxas de açúcar no sangue. Tudo isso, somado a um aumento na transpiração, para que o brother reaja a tanta pressão. No programa, o nervosismo chega a níveis tão elevados que levam o participante a se descontrolar, batendo boca com um rival ou desatando a chorar.
A psicóloga Ana Maria Rossi, da Clínica de Stress e Biofeedback, em Porto Alegre (RS), considera que tamanho estresse pode ser nocivo à saúde. "O problema é onde essas pessoas confinadas vão encontrar ajuda, já que seus amigos e familiares não estão por perto", observa. "E eles correm o risco de apelar para o álcool ou remédios sem necessidade."
Com o tempo, porém, o corpo do brother se adapta às necessidades e começa a se restabelecer dos danos causados pelo estado de alerta. Caso o jogador não consiga lidar com o estresse, corre o risco de sofrer alguma doença derivada da alta tensão. O fato é que o organismo do ser humano está perfeitamente preparado para enfrentar uma situação de estresse agudo. O problema é quando esse período se prolonga por muito tempo. Nessas circunstâncias, os brothers podem ficar ansiosos, angustiados, apáticos, introspectivos ou irritados. E o pior é que costumam apresentar mudanças frequentes de humor. A desordem mental tem repercussões físicas também, como queda de cabelo, fadiga, taquicardia, dores de cabeça, indigestão, insônia, crises alérgicas e falta de apetite.
Peitando o estresse
A psicóloga Ana Maria Rossi receita algumas medidas que deixariam os brothers mais calminhos — e, se você anda estressado na vida real, também pode aproveitá-las. "Em primeiro lugar, o indivíduo tem de conhecer seus limites e nunca se sacrificar para ultrapassá-los", afirma. Outra saída é recorrer a técnicas de relaxamento. "Eu sugiro trabalhar a respiração abdominal, profunda e rítmica", diz Ana Maria. Alongamentos também são bem-vindos. "O movimento de contração e relaxamento dos músculos é importante para minimizar a tensão", explica.
Se você reparar que o seu participante favorito está brigando com todo mundo, sente-se isolado ou não para de choramingar, chegou a hora de torcer para que ele vença, pelo menos, seu estresse. E, claro, também vale rezar para ele não atender o Big Fone...