medicina

Hemorroida tem cura

Uma técnica recém-chegada ao Brasil promete solucionar o problema sem cortes nem dores. SAÚDE! explica o procedimento nos mínimos detalhes e mostra o que, de fato, está por trás desse estorvo por DIOGO SPONCHIATO | design GISELE PUNGAN | fotos OMAR PAIXÃO

Se a estimativa dos médicos está mesmo correta, podemos dividir ao meio a população do planeta. Metade viverá em paz, não terá surpresas quando visitar o banheiro e não sentirá desconforto na reta final do aparelho digestivo. O restante irá encarar, alguma vez na vida, um problema que não mata, mas incomoda: as hemorroidas. Antes de começar a rezar para cair no grupo dos sortudos, cabe informar que a vida de quem sofre ou sofrerá do problema deve ficar mais tranquila. Desembarca no país uma nova terapia, que, diferentemente da cirurgia clássica, dispensa o bisturi e o sofrimento depois da operação.

"A hemorroida nada mais é que a dilatação de um dos vasos sanguíneos do ânus", define o cirurgião do aparelho digestivo Sidney Klajner, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. "Ela pode ser comparada a varizes", completa o proctologista Aloysio Almendra, do Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro. Uma veia resolve inchar bem ali e, ao inflamar e se deformar, é capaz de extravasar os limites anais. Aí surgem os sintomas, como sangramentos e dores ao evacuar. A saída para o transtorno parece lógica: que se extirpem as hemorroidas! É a proposta da cirurgia tradicional, realizada há mais de 70 anos, que resolve o problema, mas cobra um preço: uma recuperação penosa, com direito a dores lancinantes. "Retiramos as hemorroidas por meio de cortes na borda do ânus, mas não damos pontos para evitar infecções", resume Klajner.

Diante da descrição, não é de estranhar a busca por soluções menos agressivas. A última cartada nesse sentido é a — prepare-se para o nome — dearterialização hemorroidária transanal guiada por doppler (ou, muito melhor, simplesmente THD). A ideia da terapia é japonesa, mas foi uma empresa italiana que a colocou em prática. Klajner, depois de um estágio em Roma, trouxe a técnica para o Brasil e já a empregou em 18 pacientes no Einstein. "Os resultados, até agora, são semelhantes aos da cirurgia convencional", diz. Com uma enorme vantagem: "O paciente não sente dor após o procedimento porque, em vez de cortes, damos um nó no vaso problemático".

OS SINTOMAS LÁ EMBAIXO

Confira os sinais que costumam acusar uma hemorroida

• Desconforto ao evacuar
• Sangramentos que são denunciados por resíduos de sangue bem vermelho no papel higiênico e depois nas fezes. Com o tempo, podem aparecer pingos na privada
• Dores
• Secreção
• Coceira
• Surgimento de um tecido anormal na borda do ânus na hora de evacuar e que pode recuar após o esforço


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