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Espírito de ano novo

Natal, Réveillon, calendário novo em folha, férias, verão... Entenda como o clima de festa e renovação desse período recompensa o seu organismo por GIULIANO AGMONT design GISELE PUNGAN fotos DERCÍLIO ilustração JULIANA

Aproximidade do fim de ano mexe com os nervos. Cria um tipo de ansiedade com estímulos próprios que parece nos dar mais vontade de viver. É um estresse capaz de motivar as pessoas a fazer algo especial. As cidades ficam mais agitadas, e o trânsito, maluco. Todos correndo para poder... parar — e se entregar à família e aos amigos. Uma pausa para reunir quem se ama em torno da ceia de Natal e celebrar tanto o ano que se encerra como aquele que está por vir. Ou simplesmente um intervalo para descansar e mergulhar em um período de férias, que coincide com a chegada do verão. Tudo isso, claro, repercute em nossa saúde.

Os cientistas explicam que a iminência das festas de fim de ano gera uma expectativa positiva. As luzes típicas dos festejos ativam áreas específicas do cérebro e desencadeiam processos saudáveis ao corpo. "Nessa época, a amígdala encefálica, encarregada de dar significado emocional a fatos e datas, está a mil por hora", explica o psicobiólogo Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo. "O hipocampo, outra região cerebral, também trabalha acima da média porque é ele quem atribui importância às informações que a mente recebe. O resultado é a maior produção de neurotransmissores associados à sensação de bem-estar, como a endorfina e a serotonina." Já na versão da neurologista Sonia Brucki, do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Associação Brasileira de Neurologia, a proximidade do fi m de ano aciona o mecanismo de planejamento futuro do cérebro em busca de recompensa. "Esse processo envolve os lóbulos frontais e as regiões límbicas, responsáveis pelo controle das emoções, e embute sensações agradáveis ligadas às emoções. Diante da expectativa de algo positivo, o cérebro gratifica o corpo com substâncias químicas associadas ao prazer."

Dezembro fecha um ciclo estipulado por um calendário social. É um período em que se encerra o velho para dar início ao novo. Um momento para renovar promessas e esperanças. "Esse movimento mexe com a integralidade do indivíduo, que termina uma vida de um ano e começa outra. O cérebro percebe a mudança e a mente prepara o corpo para essa transformação", ilustra Ricardo Monezi. O fim do ano também é um momento de repouso. Mas, para que a pausa revigore, é preciso realmente descansar. Dormir muito, calçar chinelos, desligar o telefone celular, sair sem relógio e comer só quando se tem fome são ações que indicam ao nosso coordenador fisiológico que o chefão está se dando um presente.

Segundo Monezi, o cérebro retribui o mimo com alívio da tensão muscular, diminuição da frequência cardíaca, melhora da qualidade do sono, redução da liberação de hormônios ligados ao bom estresse e aumento da produção de hormônios associados ao bem-estar. Agora, para que tudo isso se concretize, é preciso colaborar, como ensina a psicanalista Mara Salla, pesquisadora da PUC-SP: "Temos de ser verdadeiros conosco. Rir e amar durante cada ritual, de corpo e alma".

RISCOS DE SER DO CONTRA

O estresse de fim de ano pode ser também uma armadilha para o corpo. Encarar as celebrações como uma obrigação ou cultivar a aversão à data, claro, faz mal à saúde de qualquer um. Assim como sair de férias acelerado demais e preocupado com mil pendências. É que o cérebro recebe a informação de que está próximo de um evento frustrante e, daí, desencadeia a produção de hormônios como o cortisol, ligado ao estresse ruim. "A tristeza aumenta a intensidade e a permanência do cortisol no corpo, o que debilita o sistema de defesa e leva a doenças, principalmente as infecções oportunistas", diz a psicanalista Mara Salla, do Laboratório de Estudos de Saúde e Sexualidade Humana da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em outras palavras, o que era para ser recompensa vira punição.



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