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O cardápio que salvaguarda essa função cognitiva preconiza peixes, ovos, frutas e hortaliças, além de moderação nas carnes vermelhas. Eis as provas. Pescados como o salmão são recheados de ômega-3, gordura que estimula o surgimento de neurônios e preserva os que estão na labuta. Já o ovo é fonte de colina, substância que serve de ingrediente para um neurotransmissor caro à formação da memória. Os vegetais, por sua vez, oferecem antioxidantes. “Eles combatem o estresse oxidativo, fenômeno que antecede as placas amiloides no Alzheimer”, explica o neurocientista George Perry, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. E as carnes? Bem, expostas a altas temperaturas, viram um berço de moléculas tóxicas aos neurônios. Por isso, diminua a porção delas.
Mexer o corpo é tão imprescindível para o cérebro quanto malhar a mente. “Há indícios de que a atividade física estimule o brotamento de neurônios no hipocampo, a região onde são arquivadas as memórias recentes”, diz a neurologista Sonia Brucki, da Universidade de São Paulo. Uma pesquisa da Universidade de British Columbia, no Canadá, assinala que exercícios aeróbicos — como caminhar, correr, nadar ou andar de bicicleta — melhoram a elasticidade das artérias. Elas, então, conseguem prover o cérebro de oxigênio e nutrientes sem empecilhos. Esse fluxo livre aumenta a blindagem contra derrames e também passa a rasteira na perda de memória.
Noites bem-dormidas não são apenas cruciais para processarmos os eventos do dia e consolidarmos as memórias. Elas também previnem o declínio cognitivo. Experiências com animais recém-concluídas na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, sugerem que quem foge da cama na juventude e na vida adulta corre um risco maior de padecer de Alzheimer lá na frente. “Observamos que a privação de sono aumenta o acúmulo de placas amiloides no cérebro”, conta David Holtzman, neurologista que chefia as investigações. “Também é importante tratar qualquer distúrbio que atrapalhe o repouso, como a insônia e a apneia.”
Ao escovar os dentes você está prestando um serviço à sua memória. É o que constata um trabalho da Universidade de West Virginia, também em terra americana, após submeter mais de 200 pessoas acima de 70 anos a avaliações da cavidade bucal e testes de memória. Resultado: os voluntários que ostentavam um sorriso bonito eram os mesmos que guardavam melhor as lembranças. “Isso pode ser explicado pelas inflamações típicas das doenças que afetam os dentes e a gengiva. Ao que tudo indica, elas repercutem nas funções cognitivas”, diz o autor da pesquisa, Richard Crout.
Quanto mais se usa a cabeça, mais fortes se tornam os laços entre os neurônios. No último congresso sobre o Alzheimer, sediado em Viena, na Áustria, ficou evidente que exercitar o cérebro é um antídoto contra os males que corrompem a memória e o raciocínio. Para espantar as teias de aranha da mente, invista em algo que trabalhe a atenção e também lhe dê prazer: leia, faça palavras cruzadas, jogue baralho ou xadrez, navegue na internet ou se aventure em um videogame. “Essas atividades favorecem a formação de novas conexões entre as células nervosas e reforçam as redes neuronais”, explica o psiquiatra Cássio Bottino.

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