nutrição

A dieta para enxergar bem

Mais do que agradar a vista, alguns alimentos são capazes de protegê-la contra os desgastes do tempo. Três novíssimos estudos revelam por que priorizar certos nutrientes no dia a dia afasta doenças sérias e prolonga a vida útil da visão por Diogo Sponchiato
design Letícia Raposo
fotos Gustavo Arrais
As nozes e o azeite de oliva possuem gorduras e antioxidantes que protegem essa camada no fundo do globo ocular. Fontes de ômega-3, como a linhaça, o salmão e a sardinha, também ajudam a afastar doenças ali, capazes de levar à cegueira

Minutos antes de desfrutar de um banquete, os olhos disputam com o nariz a condição de primeiro sentido a aguçar o apetite. Abertas, as janelas da alma captam as cores e os detalhes da entrada à sobremesa. Mas, se elas começam a emperrar, o prato vistoso perde uma pitada da graça. Para que, no depender da visão, as refeições continuem atraentes, saiba que existem certos alimentos com o poder de preservar os olhos por anos e anos. Recém-saído do forno, um estudo da Universidade de Melbourne, na Austrália, comprova que o consumo regular de peixes, redutos de ômega-3, diminui o risco de degeneração macular relacionada à idade, problema que pode levar à cegueira.

"Altas doses dessa gordura são encontradas na retina e precisam ser constantemente renovadas. O déficit dela, portanto, pode favorecer o aparecimento da doença", justifica Elaine Chong, uma das autoras do trabalho, que avaliou mais de 6 mil pessoas de 58 a 69 anos. Outra pesquisa em solo australiano, essa da Universidade de Sydney, endossa a conclusão dos seus conterrâneos. Após investigar quase 2 500 voluntários num período de dez anos, os cientistas notaram que comer pescados no mínimo uma vez por semana já reduz a probabilidade de ver a mácula sofrer.

"O ômega-3 é importante para preservar os pequenos vasos que irrigam os olhos e ainda protege a retina contra inflamações", explica a epidemiologista Vicki Flood, que participou da pesquisa. De acordo com ela, não são apenas os peixes que merecem entrar no seu prato: as nozes também são guardiãs da visão. Dois punhados por semana aumentariam o escudo contra o declínio da mácula. O azeite de oliva é outro exemplo. Assim como as oleaginosas, seu benefício vem da mistura de gorduras saudáveis e substâncias antioxidantes — aquelas capazes de atenuar os efeitos do tempo no olhar.

As gorduras benéficas selecionadas para o cardápio ainda mantêm um elo com a lubrificação do globo ocular. E quem sobressai de novo é o ômega-3, consagrado no combate ao olho seco. "Esse problema é causado por uma mudança na composição da lágrima que umidifica a córnea. Ela então passa a evaporar mais depressa", explica o oftalmologista Maurício Barros, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Como os lipídios são ingredientes desse líquido, há evidências de que o ômega dos peixes e da linhaça contribua para restabelecer a receita ideal.

Visão sem ferrugem
Os radicais livres, moléculas que, em excesso, danificam as células do corpo, não poupam os olhos — com os anos, eles sentem os efeitos do que os cientistas chamam de estresse oxidativo. "No fundo, a degeneração macular é resultado do acúmulo de oxidação numa porção da retina", exemplifica Nilva de Moraes. Embora o organismo saiba se defender na maioria das vezes, a alimentação pesa muito no desfecho do embate.

Daí por que investir nos antioxidantes, como as vitaminas C das frutas cítricas e E das nozes e castanhas, faz diferença para evitar que a visão enferruje. Mas há nutrientes com essa propriedade que prestam um serviço ocular exclusivo, afastando, entre outros males, a catarata (veja o quadro abaixo). É o caso da luteína, presente nas folhas verde-escuras, e da zeaxantina, encontrada no milho. A mesma equipe da Universidade de Sydney que analisou o papel das gorduras na saúde visual já havia percebido que essa dupla protege contra a degeneração macular. "A luteína e a zeaxantina se depositam seletivamente na retina, onde se concentra a maior parte dos receptores de luz", explica a engenheira de alimentos Giovanna Pisanelli de Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. "Ali, elas também atuam como filtros contra a luz azul, uma radiação que lesa os nervos ópticos."



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