medicina

Menarca precoce, TPM na certa

O tormento que inferniza a vida de três em cada quatro mulheres parece ter a ver com a idade da primeira menstruação, segundo um estudo gaúcho. A descoberta pode dar um empurrão em outras pesquisas que buscam elucidar os muitos mistérios que ainda cercam o problema por MICHELLE VERONESE
design LETÍCIA RAPOSO
fotos DERCÍLIO

Toda adolescente, cedo ou tarde, passa pela fase em que o corpo muda para ingressar na fase reprodutiva. Bem, umas mais cedo do que outras. "Não se sabe exatamente o porquê, mas algumas meninas acabam menstruando aos 9, 10, 11 anos", conta o ginecologista Rosires Pereira, que também é professor de reprodução humana na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. E aí, com a infância atropelada, elas se veem obrigadas a lidar com as primeiras cólicas, os primeiros absorventes e, como se não bastasse, têm que entender rapidinho o que é, afi - nal, o ciclo menstrual. Convenhamos: para a garota, encarar tanta novidade quando ainda não está preparada para viver na pele o impacto das transformações dessa etapa não é nada fácil.

"A menstruação implica pensar em uma série de questões que envolvem a sexualidade, a prevenção da gravidez e até mesmo a maternidade precoce", diz Celene Longo, a ginecologista gaúcha que investigou o elo entre a idade da menarca e a TPM para a sua tese de doutorado na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. "Estou convicta de que os aspectos emocionais ligados a essas preocupações explicam a associação entre a menarca e a tensão pré-menstrual", assegura a médica.

Para a sua pesquisa, Celene acompanhou cerca de 2 mil mulheres nascidas em 1982 e constatou que 75% delas penavam com a TPM. Todas responderam a questionários que avaliavam como se sentiam no período pré-menstrual, quais os sintomas mais recorrentes e a intensidade deles. "Aquelas que tiveram a menarca antes dos 11 anos choravam à toa de três a quatro dias antes do início do ciclo e apresentavam sinais muito acentuados de irritabilidade, ansiedade, tensão e depressão", descreve a especialista. Em termos estatísticos, esses números não são lá muito expressivos, como reconhece a própria pesquisadora. "Por outro lado, é a primeira vez que essa relação foi investigada, e a expectativa é que os resultados positivos sirvam de incentivo a novos estudos", diz.

São mais de 150 os sintomas físicos e emocionais que alertam para a proximidade da menstruação — e que podem tornar irascíveis até mesmo as mais tranquilas das criaturas. Muitas mulheres, por ignorarem muitos desses sinais, não notam o que está acontecendo com elas. Não raro, são parentes ou colegas de trabalho que chamam a atenção para a instabilidade de humor. Se o turbilhão de sentimentos à flor da pele afeta a rotina, não é bom deixá-los de lado e esperar que tudo volte ao normal. "Esses casos exigem uma boa conversa com o ginecologista", afirma Rosires Pereira.

Hoje, o arsenal anti-TPM inclui vitaminas, contraceptivos e dispositivos intrauterinos. Mas eles não passarão de meros paliativos se você não tiver bons hábitos. "Antes de cogitar um tratamento medicamentoso, vale praticar exercícios físicos, fazer ioga, meditar ou apostar em outra técnica de relaxamento, dormir bem e comer com equilíbrio, sempre reservando parte do seu tempo para o lazer", recomenda Rogério Ciarcia, ginecologista e diretor do Femme Laboratório da Mulher, em São Paulo. Tudo isso reforça os alicerces da qualidade de vida e pode até afastar a gangorra de emoções que, mês após mês, sobe e desce.



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