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Medicina MATÉRIA

Não deixe o trânsito enlouquecer você!

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As dores no trânsito


Os congestionamentos levam ao estresse, cujos efeitos repercutem da cabeça aos pés. Mas dá para evitá-los

Além dos incômodos físicos relatados na reportagem de SAÚDE!, aquela fila de carros que se recusa a andar tem o poder de mexer com o cérebro. Estamos falando do famoso estresse – o grande responsável pela irritação e pelo cansaço mental. Sem contar que toda a tensão que vai se acumulando quando a pessoa não consegue chegar ao seu destino a tempo mexe com o equilíbrio hormonal, o que pode desencadear encrencas como a depressão ou até mesmo um surto — o filme “Um dia de fúria”, estrelado por Michael Douglas e Robert Duvall, ilustra logo no seu início de que forma um engarrafamento vira o estopim para um forte descontrole emocional.

Infelizmente, o mau humor causado pelo tráfego pesado ainda consegue passar para o resto do corpo. “O estresse é capaz de contribuir para um infarto ou até para a formação de um coágulo”, alerta Marcelo Sampaio, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. Rubens Rodrigues, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia, também na capital paulista, emenda: “O nervosismo reflete na coluna cervical”. Traduzindo: enquanto o pescoço e os ombros ficam doloridos, o peito se transforma em uma bomba-relógio, prestes a explodir.

Mas tudo isso pode ser evitado. “É o próprio comportamento da pessoa que gera todo o estrago mental”, sentencia Iara Picchioni Thielen, coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. “Precisamos ser tolerantes com o erro dos outros e observar nosso próprio comportamento no trânsito. Assim, veremos que cometemos os mesmos equívocos que não toleramos nos outros”, ensina. Então, a raiva diminui. Culpar outros motoristas pelo caos só causará mais estresse e, conseqüentemente, mais problemas para a saúde do corpo – seja por causa do desequilíbrio hormonal, seja por um acidente decorrente de uma manobra arriscada.

Há outras maneiras de manter a cuca fresca em pleno engarrafamento. Uma delas é ouvir música. Um estudo da Universidade do Sul do Alabama, nos Estados Unidos, comprovou esse efeito benéfico ao fazer com que 56 voluntários ouvissem canções relaxantes após uma situação de tensão. Depois disso, os mesmos indivíduos passaram por uma experiência semelhante, mas, dessa vez, sem ouvir qualquer som. Resultado: na primeira vez, a maioria das pessoas demonstrou maior tranqüilidade. “Por outro lado, canções muito agitadas podem irritar”, adverte Iara.

Outra tática é contar com um amigo ao seu lado. Isso, além de ser bom para o ambiente, já que menos carros estarão emitindo gases poluentes, pode ajudá-lo a fazer com que as horas entre outros veículos sejam menos estressantes. Só não deixe que uma boa conversa tire sua atenção. E, mais importante, evite discussões ou brigas, que têm efeito inverso.

Certas atividades, como o pilates ou a ioga, que trabalham o autocontrole e o relaxamento, são mais uma estratégia para impedir que o estresse dê as caras em qualquer situação. Contudo, o mais importante é ser tolerante. Assim, você afasta a própria irritação e deixa de contagiar outras pessoas com todo o mau humor deflagrado pelos congestionamentos infernais.

 
 
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