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Medicina MATÉRIA

Fumaça na cabeça

É preciso cuidar também da dependência psicológica

por ANA PAULA ALFANO
foto DERCÍLIO
design EDER R. E GUILHERME C.

Até se descobrir que a nicotina causava dependência química, nos anos 1980, o tabagismo era um assunto ligado apenas à necessidade psicológica — e o único tratamento era a terapia. De lá para cá, surgiram vários remédios para largar o vício. “Mesmo assim, não se pode ignorar a relação do dependente com o cigarro”, diz Célia Lídia da Costa, psiquiatra e coordenadora do Grupo de Apoio ao Tabagista do Hospital do Câncer A. C. Camargo, em São Paulo. “Ele é a companhia no caminho para casa, alivia o estresse, atua como recompensa...”, enumera. “Uma prova de que a dependência quase nunca é apenas química está no alto índice de indivíduos que, depois de abandonarem o cigarro por um bom tempo, voltam a tragar”, diz. “Se pararam, é sinal de que a barreira da abstinência química foi vencida. Voltaram porque, mais do que um vício, fumar é um hábito.” Diga-se: um mau hábito que a terapia continua ajudando a cortar.

 
 
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