medicina

A obesidade do peso normal

Quem é o falso magro?
Neo-obeso. Descubra quem se enquadra nesse perfil e entenda a nova classificação da medicina
por FÁBIO DE OLIVEIRA
design GIOVANNI TINTI

Preste atenção nas fotos que estampam estas páginas. Do lado esquerdo, temos Patrick Scaravaglioni, de 29 anos. O cantor sertanejo paulista mede 1,84 metro e pesa 75 quilos. Seu índice de massa corporal, o famoso IMC, está na faixa dos 22,2, valor que o classifica como magro (veja como calcular o índice no quadro ao lado). No canto oposto, encontra-se o físico Sebastian Krieger, também de 29 anos. Do alto de seu 1,92 metro, o paulistano está em paz com a balança: 84,3 quilos. Seu IMC bate na casa dos 22,9 numa palavra, esbelto. Os dois, portanto, estão praticamente empatados em matéria de IMC. E, à primeira vista, livres de preocupações, por assim dizer, gordurosas. Mas as aparências (e as medidas) enganam. De acordo com os resultados de um recente estudo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, um deles, pasme, pode ser considerado um gordo, ou melhor, um obeso de peso normal.

É isso mesmo, confi rma o cardiologista Francisco Lopez-Jimenez, principal autor da pesquisa, um verdadeiro petardo contra o IMC. Durante anos, pensamos que esse índice era o método mais efi caz para mensurar a gordura corporal, conta a SAÚDE! o médico mexicano, que hoje vive na Flórida. Nosso trabalho, porém, prova que ele está longe de ser preciso. Para chegar a essa conclusão, a equipe de Lopez-Jimenez avaliou cerca de 2 mil adultos, todos com o IMC ideal, ou seja, entre 18,5 e 25. Os pesquisadores descobriram que mais da metade dos voluntários tinha uma obesidade mascarada pelos números.

Por meio de informações adicionais, como os níveis de colesterol e a medida da circunferência abdominal dos participantes, o time da Clínica Mayo descobriu que, apesar da silhueta esguia e do IMC normal, os neo-obesos tinham gordura de sobra. E isso é péssimo. O tecido adiposo em excesso fabrica altas doses de substâncias nocivas, como a interleucina 6 e o fator de necrose tumoral alfa. Essa dupla inflama as paredes dos vasos, contribuindo para entupi-los. O tal fator de necrose também aumenta a resistência à insulina. Nesse caso, o hormônio que bota açúcar para dentro das células não consegue desempenhar sua função adequadamente.



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