Detalhes tão pequenos, como diz a famosa canção, são coisas muito grandes para quem faz questão de tudo perfeito. É o seu caso? Se a resposta é sim, em vez de esperados elogios, você merece um bom puxão de orelha. É que a auto-exigência exacerbada gera tamanha tensão que, mais cedo ou mais tarde, o feitiço vira contra o feiticeiro: em vez da superação, vem a paralisia, provocada, pura e simplesmente, pelo receio de falhar. Os perfeccionistas inveterados têm uma idéia irreal do que seja um desempenho aceitável e por isso vivem insatisfeitos, analisa o psicólogo canadense Gordon Flett, da Universidade York, especialista no assunto. As conseqüências podem ser desastrosas.
Essas pessoas protelam as tarefas, refazem-nas inúmeras vezes e dificilmente conseguem concluí-las dentro do prazo. As relações pessoais também são prejudicadas. Cá para nós, é difícil lidar com gente que demora horas para tomar uma decisão, que não pode ver um objeto 1 milímetro que seja fora do lugar ou que é obcecada por minúcias sem a menor importância. E aí os conflitos são inevitáveis.
Ninguém sabe direito como surge o problema, mas especula-se que a raiz dele esteja tanto na genética como no ambiente familiar. Pode-se nascer predisposto à mania de perfeição, mas as expectativas paternas muitas vezes são o gatilho do perfeccionismo que vai se manifestar na vida adulta. Todos nós conhecemos casos de pais que projetam nos filhos o que eles próprios não puderam realizar. E aí aquela meta não atingida de concluir o curso superior, por exemplo, leva à exigência de que a criança seja a primeira da classe.