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Um artigo publicado na revista científica americana Annals of Internal Medicine está lançando luz sobre um debate que mobiliza urologistas de todo o planeta: qual o melhor tratamento para o câncer de próstata? Tratou-se de uma revisão de mais de 500 pesquisas patrocinadas pela Agency for Healthcare Research and Quality, instituição de saúde do governo dos Estados Unidos. O trabalho compara a eficácia e os riscos de oito terapias e conclui que não há superioridade de uma sobre as demais, já que todas são eficientes, mas passíveis de complicações. Em vez de eleger o tratamento mais efetivo, o trabalho mostra que o que há é uma atitude pior ou melhor a ser tomada em cada caso, afirma Eric Wroclawski, professor de urologia da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo.
A cada quatro minutos, um homem é diagnosticado com câncer de próstata no Brasil e, a cada 25 minutos, um paciente morre. A estimativa, feita por Miguel Srougi, professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, mostra o peso da doença para a população masculina. As terapias entram para evitar a morte e minimizar as complicações, entre elas a disfunção erétil e a incontinência urinária. Um dos grandes desafios hoje é determinar quais homens precisam de fato ser tratados, explica o médico Srougi. Se a expectativa de vida, independentemente da doença, for inferior a dez anos e o câncer tiver uma evolução lenta, não se justifica submetê-los a tratamentos agressivos, analisa Sami Arap, professor emérito de urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Para os especialistas, no entanto, ao contrário do que o levantamento recém publicado pelos americanos dá a entender, alguns tratamentos levam, sim, vantagem sobre os outros. Em um tumor localizado, a cirurgia é ligeiramente superior à radioterapia, exemplifica Arap. Feita como primeira opção, ela permite que o doente se submeta a outra conduta se, um dia, o tumor voltar. O mesmo não acontece se a radioterapia for a primeira escolha. O procedimento leva à necrose dos tecidos. Eles endurecem e isso dificulta ou até mesmo impossibilita uma cirurgia mais tarde, opina.
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