Quem vê esse cachorro, com essa cara pra lá de alegre, não imagina o apuro pelo qual passou, para grande susto de sua dona. Ele teve uma diarréia daquelas, conta a pedagoga Sandra Jorge Lopes, de São Paulo. No hospital, o check-up revelou: a pressão sangüínea do cãozinho estava nas alturas. Um defeito na válvula mitral do coração disparou o problema, que agora precisa ser controlado com remédios.E o caso de Pongo não tem nada de raro. Pelo contrário. Tanto os cães como os bichanos vira e mexe se tornam vítimas da hipertensão.
Na maioria das vezes ela é conseqüência de enfermidades como insuficiência renal e disfunções na tireóide ou na glândula adrenal, explica o veterinário Wagner Luis Ferreira, professor da Universidade Estadual Paulista. Mas outros inimigos também deixam as artérias no maior sufoco, obrigando o organismo a bombear sangue com força. A obesidade é um deles. E está aumentado entre os bichos, revela o cardiologista veterinário Mário Marcondes dos Santos, do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo.
Outro vilão é o sedentarismo. Quatro patas que mal se movem trilham o caminho que faz a pressão subir. O complicado é que a hipertensão quase não dá sinal de vida. Por isso dizemos que ela é um mal silencioso, observa Mário Marcondes. Nas raras vezes em que se manifesta, o animal se cansa com facilidade e parece tonto por causa de alterações na visão. No caso de Pongo, a família nada percebeu. Ele sempre foi de brincar e correr pra lá e pra cá, diz Sandra.
Para tornar tudo mais difícil, medir a pressão sangüínea é uma guerra. O bicho se assusta com os equipamentos e isso interfere no resultado, lembra Wagner Luis. E o especialista muitas vezes interpreta que a pressão elevada é algo passageiro, fruto desse medo. Até agora o mais comum é fazer a medição por meio do aparelho convencional, preso por uma faixa de velcro na pata dianteira. É possível, ainda, usar um sensor, o doppler, que, encostado na mesma pata, amplifica o som do sangue em circulação. De um jeito ou de outro, o veterinário precisa repetir os testes.
Mas, agora, uma nova máquina, chamada Pet Map, acaba com isso. Como o próprio nome sugere, ela mapeia a pressão e a freqüência cardíaca com grande precisão. Colocamos o manguito, uma espécie de pulseira, na cauda ou na pata e o animal pode ficar no colo do dono, conta Mário Marcondes. Assim, com o bicho relaxado, o diagnóstico, além de rápido, é mais confiável. Depois de três medições, se a média da pressão sistólica passar de 170 mmHg, é preciso seguir o exemplo de Pongo: dieta balanceada, exercícios e, se for o caso, remédios para conter o problema.
Na maioria dos casos, a pressão alta é secundária, isto é, surge em decorrência de outras doenças, como a insuficiência renal. Qualquer que seja a causa, porém, este trio de cuidados é essencial para manter a pressão no eixos:
1. Sirva uma ração de qualidade, adaptada à faixa etária do bicho.
2. Não permita exagero nos petiscos e ofereça apenas alimentos específicos para pets.
3. No caso do cão, leve-o para se exercitar pelo menos três vezes por semana.
E lembre-se: se a hipertensão não for controlada, pode causar lesões no coração, nos rins e até levar à cegueira.