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Reconheça a apendicite

por Angelo Massaine | design Melissa Rondon | ilustração Mauro Souza

Entre 30% e 35% das apendicites são causadas por fecalitos, corpos fecais endurecidos que penetram o apêndice, conta Mauro Toporovski, presidente do Departamento de Gastroenterologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Esse é o ambiente perfeito para que os micróbios procriem e desencadeiem a infecção.

No início os sintomas são bastante inespecíficos, diz o gastroenterologista pediátrico Marcos Jiro Ozaki, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. "E, para piorar, lembra Bundy, a criança muitas vezes é incapaz de explicar o que sente tão bem quanto o adulto". Os médicos, então, podem ficar perdidos porque os sintomas variam à beça. Às vezes, por causa da posição da ponta do apêndice inflamado, a suspeita recai sobre problemas de bexiga ou vesícula, exemplifica Frank da Rocha.

Embora a apendicite seja mais comum na faixa dos 15 aos 35 anos, são as crianças com menos de 4 que correm maior risco de complicações. A doença se desenvolve rapidamente, entre 48 e 72 horas. Se o diagnóstico for tardio, as chances de ocorrer a ruptura do apêndice se multiplicam. E é aí que mora o perigo. Quando o apêndice inflamado estoura, pus e fezes se espalham pelo peritônio, a membrana que reveste os órgãos do abdômen. A infecção se dissemina e, se as bactérias caem na corrente sangüínea, o corpo vira refém de uma infecção generalizada. Sim, quando não tratada, a apendicite pode matar.

Para descobrir se o apêndice é responsável pela desordem no organismo os médicos se valem em primeiro lugar do exame clínico. É fundamental conversar com a criança e com os responsáveis para conhecer a história do paciente, ressalta Ricardo Frank da Rocha. "Geralmente, ao apalpar a região mais baixa à direita do abdômen, ela sente uma dor mais intensa", conta Marcos Jiro Ozaki. Para completar a investigação, o especialista solicita exames como o hemograma, capaz de acusar um alto número de glóbulos brancos células de defesa que, nas alturas, indicam uma infecção , além de exames de imagem, como a radiografia, o ultra-som ou a tomografia.

 
 
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