Os brasileiros estão entre os passageiros que mais temem voar em todo o planeta. E já era assim antes de sofrerem o impacto dos dois últimos grandes acidentes no nosso espaço aéreo em um intervalo de apenas dez meses. Em 2003 uma pesquisa do Ibope revelava que 42% dos viajantes entravam em pânico logo no embarque. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos e na Alemanha só 23% das pessoas assumem o medo de avião.
E agora é bem provável que as dimensões da tragédia em Congonhas, em julho passado, tenham aumentando ainda mais a proporção de pessoas com pânico de voar, opina a psicóloga Rosana Dório, uma das maiores experts do país no tratamento desse tipo de fobia. Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já bateu recordes de vôos, engrossou o coro dos medrosos, declarando: Toda vez que a porta se fecha entrego minha sorte a Deus.
O.k., ultimamente mais do que nunca, tanta insegurança tem razão de ser e pouco adianta citar dados e mais dados mostrando que o avião é muito mais seguro do que o carro ou que a probabilidade de um raio atingir alguém caminhando sossegado na rua é maior do que a de uma aeronave despencar dos céus. Os especialistas, porém, são unânimes: dá, sim, para apagar as fantasias de uma queda, de um defeito mecânico ou de uma falha humana. Mas a tarefa nem sempre é fácil.
De cara eles sugerem mudar o foco do pensamento na hora em que o avião começa a taxiar. "Concentrar-se na finalidade do vôo e pensar em algumas vantagens ajudam a encontrar forças contra o pavor", garante Márcia Melhado, psicóloga especializada no tratamento da ansiedade no Instituto QualiLife, de São Paulo.