FAMÍLIA Mais de família >>

Amigdalite: é bactéria ou vírus?

por SAMUEL RIBEIRO / design THIAGO LYRA / foto OMAR PAIXÃO

Diga "aaa". O pedido é um dos mais ouvidos no consultório do pediatra. Ele precede o exame em que o médico empurra para baixo a língua do paciente com a ajuda de um palito para enxergar, sob um feixe de luz, as amígdalas. Em geral essa breve olhada já entrega se estão inflamadas ou não. Muito mais sutis, porém, são as pistas capazes de indicar se a infecção é causada por bactérias ou por vírus, o que proporciona o tratamento mais adequado.

Até mesmo o especialista mais experiente pode se enganar no diagnóstico e receitar o remédio errado. “Então, ou a criança toma antibióticos sem a menor necessidade ou deixa de usá-los quando de fato precisa”, resume o pneumopediatra João Paulo Becker Lotufo, da Universidade de São Paulo.
Febre nas alturas, gânglios sob a mandíbula e pus na garganta — esses sinais costumam indicar um ataque bacteriano às amígdalas.

Já quando a temperatura não sobe tanto e os sintomas lembram os de uma gripe, o responsável pode ser um vírus. Essas informações ajudam, mas não bastam. Um estudo do Hospital Universitário da USP dividiu 53 garotos entre 2 e 15 anos, todos com amigdalite, em três grupos. No primeiro ficaram os que pareciam ter dor de garganta por causa de uma bactéria. No segundo a suspeita recaía sobre vírus. O terceiro reuniu os que deixaram os médicos em dúvida.

Para checar se essa divisão estava correta foi feito um teste que em 30 minutos detecta o Streptococcus pyogenes, bactéria causadora de muitas amigdalites. E depois, ainda, a cultura de garganta. Em dois dias o exame entrega o micróbio que provocou a inflamação. “Os resultados surpreenderam”, conta João Paulo Becker Lotufo, coordenador do trabalho. Na terceira turma, em que não se arriscou palpite, apenas 15% das crianças estavam infectadas pelo estreptococo. Na segunda comprovou-se que a dor era de origem viral. Mas só 45% dos meninos que apresentaram todos os sinais de ter uma bactéria estavam de fato infectados por ela. “Basear-se apenas no exame visual pode levar a erro”, conclui Lotufo.

 
 
Rede MdeMulher
Publicidade
logo abril Copyright © Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados. All rights reserved