medicina

Câncer de pênis: evite esse mal

Proteja o que você tem
O pênis também pode ter câncer. Pouco se fala da doença, que pode e deve ser prevenida desde cedo.
por ANGELO MASSAINE | design EDER REDDER

Sim, esse mal infelizmente existe. E, neste mês, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) dá início à Campanha de Combate ao Câncer de Pênis com base nas informações obtidas pelo I Estudo Epidemiológico do problema no Brasil, concluído em maio passado. Uma das principais constatações do trabalho, realizado ao longo de um ano, é a estreita relação desse tumor com a falta de informação. A aversão e o medo de ir ao médico fazem com que seus primeiros indícios sejam negligenciados.

De acordo com o estudo, São Paulo lidera o ranking da doença no país, com 24,26% dos casos. No entanto, a maioria dos pacientes tratados nesse estado são migrantes da região Nordeste. Ceará e Maranhão aparecem na segunda e terceira posições. Os números levantados ainda podem ser subestimados, daí a necessidade do alerta. No Maranhão, estima-se que a cada 13 dias haja uma nova ocorrência. Por isso, a capital São Luís deve receber um mutirão de 50 urologistas.

O câncer de pênis não possui uma causa específica. Há, sim, fatores ligados à sua origem. A falta de higiene é um dos principais. A presença de fimose quando o estreitamento na abertura do prepúcio (a pele que reveste a glande) impede que ela seja exposta é outro, já que dificulta a retirada do esmegma, um líquido branco produzido no prepúcio, a pele que cobre a glande. "Essa secreção natural causa irritação crônica, que pode ser o estopim da doença", explica Gustavo Guimarães, urologista do Hospital do Câncer A.C. Camargo, de São Paulo. "Nosso trabalho identificou que 87% dos doentes não foram operados de fimose", conta Aguinaldo Nardi, coordenador do estudo. Não é à toa que entre os judeus, circuncidados dias após o nascimento, praticamente não existe esse tipo de câncer.

O primeiro sintoma é uma pequena ferida na cabeça ou no corpo do pênis. Só que ela não dói e, talvez por isso mesmo, muitas vítimas não dão bola. Sem parar de crescer, a lesão pode assumir uma forma de couve-flor. Se não houver tratamento, as células cancerosas se infiltrarão nos tecidos internos do órgão e seguirão para os gânglios inguinais, provocando inchaços na virilha. Nesse ponto podemos considerar que a doença já se disseminou é metástase.

"Mesmo tumores aparentemente pequenos podem ser agressivos e se espalhar com rapidez", afirma Marco Antonio Arap, professor de urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Como sempre, quanto antes a doença é flagrada, melhor. Até porque sempre há a necessidade de extrair a área afetada. Em alguns casos, basta lançar mão da crioterapia, que destrói o tumor ao congelá-lo. Em casos extremos é preciso amputar o pênis. "É um mal que mutila física e emocionalmente", ressalta Nardi.

É claro, até por dedução lógica, que, se o câncer de pênis é resultado da falta de conhecimento, ele é mais freqüente na população carente. Mas, em tese, nenhum homem que despreze a higiene básica está livre da ameaça. De acordo com o levantamento da SBU, cerca de 82% das vítimas têm mais de 46 anos. Mas vale lembrar: a limpeza é um hábito que deve ser cultivado desde cedo, uma vez que a irritação contínua do local abre caminho para o problema.



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