No último século as concentrações de dióxido de carbono no ar aumentaram 30%, as de metano dobraram e as de óxido nitroso subiram 15%
É no inverno que o ar já tão poluído fica ainda pior. O clima seco, a temperatura baixa e a pouca quantidade de ventos favorecem a formação de grandes massas de gases nocivos à saúde, como o óxido de nitrogênio, o monóxido de carbono e o ozônio. Isso sem falar nas partículas, liberadas aos montes por carros, ônibus e motos. Microscópicas, são dez vezes menores do que o diâmetro de um fio de cabelo. E nem precisa respirar fundo para que sejam inaladas. Basta o simples e vital ato de inspirar.
"Esses poluentes vão direto para os pulmões o tempo todo", conta o médico Alfésio Luiz Ferreira Braga, do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a USP. "De lá, boa parte segue viagem rumo à corrente sangüínea, espalhando-se por cada célula do corpo." E não só quem está na rua sofre os efeitos das substâncias venenosas. Elas invadem a sua casa sem a menor cerimônia, sobretudo se você morar em um local muito movimentado.
A exposição contínua a toda essa sujeira desencadeia inflamações no organismo inteiro, além de potencializar o processo oxidativo das células ¿ ou seja, sua degeneração. A tal oxidação, que está por trás do envelhecimento da pele e de todos os órgãos, também tem culpa no cartório quando o assunto é câncer. Não à toa, a poluição mata mais de 2 milhões de pessoas no mundo a cada ano. Só em São Paulo, são mais de 2,5 mil as vítimas fatais ¿ número superior ao dos que morrem anualmente por causa do vírus da aids.
É verdade que mudar esse cenário sufocante envolve ações de longo prazo, mas nem por isso você deve se conformar com a fumaça que entra pelas narinas. Pequenas atitudes que estão ao seu alcance podem fazer a diferença. Primeiro para amenizar os efeitos sobre a saúde. E segundo para dar sua parcela de contribuição para salvar o planeta, como você verá mais adiante. "Evite atividades externas em horários de pico de trânsito, quando a poluição é maior", recomenda, de cara, a médica fisiatra Isabel Chateaubriand de Salles, do Hospital Sírio Libanês de São Paulo.