Trânsito engarrafado, bronca do chefe, falta de dinheiro não há quem não fique tenso diante de situações tão adversas. O corpo, claro, sente o baque. O coração bate acelerado, a respiração fica curta, os músculos se enrijecem. Nessas horas, para aliviar a irritação, muita gente corre para o parque ou para a academia. E, de fato, uma boa ginástica ajuda o organismo a se livrar da adrenalina e do cortisol, os conhecidos hormônios do estresse que ficam dando sopa na circulação quando você está à beira de um ataque de nervos.
No entanto, o tiro pode sair pela culatra. "As pessoas tendem a canalizar toda a contrariedade na malhação e correm o risco de se machucar", alerta a psicóloga desportiva Mara Raboni, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. "Atendo muitos casos desse tipo no meu consultório", confirma o traumatologista e médico do esporte Samir Salim Daher, da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.
O fisiologista Raul Santo, do Cemafe, Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte, da Unifesp, explica por que fazer exercícios no auge do estresse é uma péssima idéia: "A adrenalina que já está no corpo inteiro tensiona os músculos. E aí um movimento um pouco mais forte é suficiente para provocar uma lesão" . Até mesmo a visão periférica é afetada quando as tensões se acumulam e você teima em praticar um esporte. O que isso significa? Você simplesmente deixa de enxergar o que está acontecendo à sua volta. Em uma partida de futebol, por exemplo, o risco de choque corporal com outro jogador é grande.