São 3 milímetros de diâmetro, 2 centímetros de comprimento e quilômetros de polêmica. Os stents, malhas metálicas utilizadas nas angioplastias para normalizar o fluxo sangüíneo em artérias cheias de gordura, estão na berlinda, especialmente os do tipo farmacológico. Cada vez mais indicados, eles foram desenvolvidos para liberar medicamentos capazes de inibir a cicatrização no local onde são dispostos e, dessa forma, evitar futuras obstruções, a chamada reestenose.
Recentemente esses dispositivos foram acusados de elevar o risco de formação de coágulos quando comparados com as versões tradicionais, que só expandem a circunferência do vaso obstruído. Na última reunião do American College of Cardiology, realizada no final de março nos Estados Unidos, outra pesquisa botou mais lenha na fogueira. O trabalho, publicado no rigoroso periódico científico The New England Journal of Medicine, avaliou mais de 2 mil pacientes. Todos tinham bloqueios na artéria coronária, mas apresentavam um quadro estável.
Desse total, 1 149 fizeram angioplastia e receberam stents, enquanto 1 138 foram tratados apenas com remédios. O objetivo foi avaliar a incidência de morte, infarto, derrame e a necessidade de intervenções adicionais nos dois grupos depois de cinco anos. Ao levar em conta esses quesitos, concluiu-se que não houve diferenças entre as duas estratégias. Ou seja, a porcentagem de pacientes que fizeram angioplastia e mais tarde tiveram outros problemas vasculares não foi menor do que a de pacientes que tentaram controlar seu quadro só com remédios.