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Brinquedos: preste atenção neles

Brincadeira perigosa
O patinho que acompanha seu bebê no banho pode não ser tão inofensivo quanto aparenta. Substâncias como o ftalato e o bisfenol, muito utilizadas na fabricação de brinquedos macios de plástico, causam intoxicações.
por Thais Szegö | design Robson Quinafélix | fotos Dercílio

Nos países da União Européia, ftalato e bisfenol foram simplesmente banidos das indústrias de brinquedo. Após discussões acaloradas entre os países do Mercosul, a Argentina resolveu igualmente suspender seu uso. No Brasil por enquanto não existe nenhuma restrição à dupla. "Por aqui não há lei que proíba seu emprego nos produtos de plástico destinados à criançada", afirma o engenheiro químico Mariano Bacellar, do Instituto Brasileiro de Qualificação e Certificação, fundado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos, a Abrinq.

Mesmo sem nenhuma ordem oficial, algumas indústrias nacionais acharam por bem substituir a dobradinha de componentes por outros aditivos. E quem ainda a utiliza deixa isso bem claro no rótulo dos brinquedos — o que é ótimo. As acusações contra as duas substâncias são graves. O ftalato estaria envolvido com alterações nas glândulas, causando diversos distúrbios hormonais. Ele serve para amaciar e tornar maleável o PVC, o tipo de plástico usado na maioria dos brinquedos para bebês e nas bonecas.

O bisfenol, por sua vez, tem a propriedade de deixar o plástico, apesar de macio, mais resistente a mordidas e outras investidas. Recai sobre ele a suspeita de favorecer a obesidade e até alguns tipos de câncer. O outro lado dessa história, vale frisar, é que grande parte das pesquisas foi feita em animais. Aquelas que envolveram seres humanos avaliaram o efeito direto das substâncias sobre o organismo, mas não o da sua aplicação em brinquedos, quando elas já estão quimicamente modificadas.

"É como no caso dos copos descartáveis de polietileno", compara o toxicologista e pediatra Sérgio Graff, diretor da Clínica Toxiclin, em São Paulo. "O etileno, a sua matéria-prima, pode provocar problemas. No entanto, quando ele é transformado em polietileno, o risco desaparece", diz. A enfermeira Maria de Jesus Castro Sousa Harada, do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, concorda: "Não há trabalhos conclusivos sobre a ação tóxica dessas substâncias nos brinquedos", afirma. "


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