bem estar

Casa: aconchego fundamental

Bem-estar rima com lar
Transformar a casa em um lugar gostoso e único não depende de móveis caros e modernos. O que importa mesmo é que o seu canto tenha alma.
por Flávia Pinho | design Robson Quinafélix | fotos Omar Paixão

Para Christina Campos, nada traduz melhor o seu lar do que a coleção de paninhos de crochê. Alguns foram herdados da bisavó, outros vieram do enxoval da mãe e há os que ela mesma comprou. A forma de exibi-los não poderia ser mais retrô. "Gosto de arrumá-los sobre a mesa da cozinha, a tampa do fogão, a mesa de centro... em qualquer espacinho que precise de aconchego."

Se você tivesse que se mudar levando poucos objetos de estimação, quais escolheria? Parece mais um daqueles testes de revista, mas a questão pegou em cheio a jornalista paulistana Christina Campos. Contratos assinados para ela e o marido, também jornalista, trabalharem no Japão, Chris soube que moraria em um apartamento da empresa. "Não tinha idéia de como seria, nem sequer do seu tamanho", lembra-se a moça, cuja paixão pelos assuntos domésticos gerou ate um site e o livro homônimo, editado pela Record.

Diante do dilema, não teve dúvida: encaixotou peças que eram a síntese de um lar — melhor, do seu lar. Levou porta-retratos, um sino de vento, miniaturas de plástico, livros e muitos paninhos de crochê. "Com aquilo ao meu redor não me sentiria em um hotel." Para Chris lar é isto: um lugar que traduz a personalidade, os sentimentos e as memórias de quem vive ali. "Nada a ver com dinheiro ou moda", resume. "Até mesmo quem não curte decoração se sente em um lar quando tem por perto a foto de alguém querido, uma lembrança de viagem", exemplifica.

A idéia de que uma casa em que a gente realmente se sinta bem pressupõe um mínimo de personalização é partilhada por gente dos mais diferentes hábitos e histórias de vida. A assessora de imprensa Deni Bloch é um tipo quase nômade. Em quatro décadas de vida morou em mais de uma dezena de endereços. Em todos eles imprimiu toques pessoais: "Troquei até a decoração de um flat".

A artista plástica Maria Inês Chiavone é o oposto de Deni. Aos 50 anos, ainda mora no lugar onde nasceu — só que o sobrado de vila pouco lembra o imóvel da infância. "Desde que me casei, há 25 anos, mudei tanto a decoração que até me esqueço de que sempre vivi aqui. A casa ficou com a minha cara, não com a dos meus pais."


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