O catarinense Vanderlei Quintino ficou arrasado com a morte do piloto de F-1 Ayrton Senna. Ele assistia à corrida preso a uma cama de hospital, onde tinha sido internado na véspera, vítima de um acidente de moto que lhe custou uma perna. A dor pela morte do ídolo, numa curva do autódromo, foi maior do que a da própria amputação, garante.
"Mas logo o impacto daquela notícia se tornou a mola propulsora e comecei a pensar nas próteses que poderia usar e nas soluções para o meu problema", lembra-se. "Encarei a perda como um desafio." Cheio de determinação, tocou a vida. Trocou o futebol pela natação — e não como simples hobby, já que passou a competir nessa modalidade, colecionando medalhas. Casou-se, teve uma filha e começou a estudar educação física. "Quero ensinar crianças com deficiência", diz, entusiasmado.
O segredo de Vanderlei para encarar sua tragédia pessoal é uma característica descrita há relativamente pouco tempo pelos psicólogos — a resiliência. O termo, tomado por empréstimo da física, se refere à propriedade que alguns materiais têm de se deformar quando submetidos a pressão e em seguida voltar ao estado anterior, sem alterações. Pessoas resilientes conseguem superar um trauma sem sofrer as conseqüências negativas do estresse, como doenças físicas e emocionais. Tudo graças a uma grande energia interior.
Resiliência não significa ausência de sofrimento. A diferença é a forma de vivenciá-lo. "Pessoas resilientes têm grande capacidade de adaptação", aponta a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da filial brasileira da International Stress Management Association, entidade voltada para a prevenção e o tratamento do estresse. "Elas sofrem, mas reúnem forças e se reposicionam", acrescenta a psicóloga Carmem Rittner, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.