Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
IMAGEMTXTApesar de o problema ser tão sério, segundo um estudo da International Osteoporosis Foundation, muita gente desiste de tratá-lo. Cerca de 80% dos pacientes que engolem comprimidos diários para fortalecer o esqueleto e quase 60% dos que ingerem doses semanais de medicação não suportam essa rotina depois de um ano — e olhe lá. Até porque muitas das drogas usadas no combate à osteoporose provocam efeitos colaterais e exigem cuidados no mínimo desgastantes.
A família dos bisfosfonatos, substâncias que agem contra a perda óssea, requer que a pessoa esteja em jejum — para uma boa absorção — e que, pior, permaneça de pé por pelo menos meia hora. Por essas e outras, a grande ambição da indústria farmacêutica é encontrar remédios que possam ser tomados em intervalos cada vez maiores. Nessa linha, o primeiro a chegar ao mercado brasileiro foi o ibandronato de sódio. O.k., ele também é da classe dos bisfosfonatos. Mas, no caso, basta um comprimido mensal para barrar a progressão da doença.
Há saídas ainda mais animadoras, como o denosumab, medicamento que está em fase de aprovação nos Estados Unidos. Ele impede a ação de uma enzima conhecida como ligante RANK. "Duas injeções anuais previnem a perda óssea e aumentam em 6,7% a massa da espinha lombar e da bacia", diz a reumatologista Evelin Goldenberg, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, a respeito dos estudos feitos mundo a fora.
Para incrementar o novo arsenal vem aí o ácido zoledrônico, uma espécie de vacina anual contra a doença. "Durante mais de três anos, os testes mostraram uma redução de 70% no risco de fraturas na coluna vertebral e em 40% nas chances de quebrar o quadril", revela o reumatologista Sebastião Radominski, professor da Universidade Federal do Paraná, um dos brasileiros envolvidos na experimentação da novidade.
A osteoporose não tem cura. O que esses novos medicamentos fazem é recuperar parte da massa óssea e impedir a progressão da doença. São uma força e tanto para o esqueleto, mas já que não operam milagre o ideal seria investir em prevenção. Como sempre. No entanto, as recomendações para afastar os fatores de risco — sedentarismo, dieta alimentar pobre em cálcio e pouca exposição ao sol — são solenemente ignoradas. Segundo um estudo da Unifesp envolvendo 2 420 pessoas em 120 municípios do Sudeste, os brasileiros acima de 40 anos ingerem quase três vezes menos cálcio do que o necessário. E ainda: cerca de 47% dos entrevistados se declararam completamente sedentários.
Para incentivar a prevenção da doença a novidade é um exame que não apenas analisa a quantidade e a qualidade da massa óssea, mas também detecta a propensão à osteoporose com 30, 40 anos de antecedência. E, diga-se, tanta antecipação é fundamental porque está cada vez mais claro que a osteoporose é um mal plantado na juventude, embora só seja colhido na maturidade.
O procedimento do exame é bem simples, graças à mesma tecnologia da sonda americana que perscrutou o solo do planeta Marte. Ela possibilita a um aparelho de ultra-som — pequeno, por sinal — analisar a trança do colágeno ósseo (veja o infográfico). Sim, essa proteína vai se entrelaçando em torno do esqueleto como se fosse o alicerce de um edifício. Já o cálcio se cola nela, fazendo as vezes de tijolos. Quanto menor o teor de colágeno, maior o risco de fratura — agora ou lá no futuro. "Sabe-se que maus hábitos, como fumo, falta de atividade física e distúrbios hormonais, estão por trás da diminuição do colágeno, mas é preciso investigar outras causas", explica o ginecologista Odilon Iannetta, professor da Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto, que fica no interior do estado. O especialista é o responsável por um dos 20 centros de pesquisa internacionais que testam esse recurso de diagnóstico — que já é um procedimento padrão em alguns países da Europa. Por aqui, vale ressaltar, o exame é pouco difundido e há médicos que se mostram céticos quanto à sua eficácia.
Por enquanto, o teste mais utilizado no país para avaliar a perda da massa óssea é a densitometria. Toda mulher acima de 50 anos ou após a menopausa deve se submeter a ele. "E os homens acima de 70 ou os mais jovens que apresentem fatores de risco também", ressalta a endocrinologista Marise Lazaretti Castro, chefe do ambulatório de doenças osteometabólicas da Unifesp.
POR DENTRO DOS OSSOS
O esqueleto está em processo contínuo de remodelamento. Perdemos massa óssea a todo momento, mas rapidamente conseguimos recuperá-la. Mas quando a osteoporose se instala, a história é outra
• Cerca de 80% dos pacientes com osteoporose que usam medicamentos de dose diária abandonam o tratamento após um ano
• Quase 60% daqueles que ingerem doses semanais param de se medicar e não avisam o médico
Estima-se que mais de 200 milhões de pessoas tenham osteoporose ao redor do planeta
O QUE JÁ ESTÁ NAS FARMÁCIAS
Princípio ativo: Alendronato sódico com vitamina D.
Como age: Diminui a perda óssea e ainda aumenta os níveis de vitamina D.
Dose: Um comprimido semanal.
Princípio ativo: Ibandronato de sódio.
Como age: Inibe a reabsorção do osso, levando ao aumento da massa óssea.
Dose: Via oral, uma vez por mês.
Princípio ativo: Ranelato de estrôncio.
Como age: Além de diminuir a reabsorção de osso, aumenta a formação de massa óssea.
Dose: Um sachê diário.
ESTÁ PARA SER APROVADO
Princípio ativo: Denosumab.
Como age: Feito com uma proteína que impede a ação de uma enzima envolvida no processo de reabsorção óssea.
Dose: Uma injeção a cada seis meses.
Princípio ativo: Ácido zoledrônico.
Como age: Inibe a reabsorção do osso, levando ao aumento da massa óssea.
Dose: Uma injeção anual.
FATORES DE RISCO
Ser mulher: oito em cada dez pacientes são do sexo feminino. As que estão na menopausa são mais afetadas. Assim como mulheres que, por outros fatores, têm deficiência de estrógeno.
Idade avançada: cerca de 50% das mulheres e 15% dos homens com mais de 65 anos desenvolvem a doença.
Ser branco: mas todos os grupos étnicos, fique claro, são afetados em maior ou menor intensidade.
Baixo peso e baixo índice de massa corpórea.
Quem já sofreu uma fratura, em qualquer período da vida, deve ficar de olho. Aprenda: osso não foi programado para se quebrar por qualquer bobagem, só com baques extremamente fortes.
Histórico familiar da doença: parente de primeiro grau com osteoporose dobram as suas chances de tê-la.
Baixo nível de testosterona em homens.
Uso prolongado de corticóides.
Alcoolismo e tabagismo.
O EXAME DE COLÁGENO
Avalia, como referência, a qualidade das metáfises das falanges — os ossos dos dedos.
| IMAGEMTXT | Nos ossos saudáveis as tranças de colágeno aparecem unidas e bem cheias de cálcio. |
| IMAGEMTXT | Baixa quantidade de tranças do colágeno indica maior probabilidade de fraturas. |
A IDADE DO ESQUELETO FEMININO
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Até os 30 anos
Em condições normais de saúde, não há perda considerável de massa óssea
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Dos 30 aos 45 anos
Nessa fase a mulher perde de 1% a 3% de osso ao ano.
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Dos 45 aos 50 anos
A perda aumenta de 5% a 7% nessa faixa etária.
DENSITOMETRIA ÓSSEA
O exame mais utilizado no país para flagrar a doença mede a quantidade de massa óssea. As imagens apontam a gravidade do problema e as regiões onde há maior reabsorção do osso.
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