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Seu filho está crescendo direito?

Acabou de sair um novo critério para estabelecer valores ideais de altura e peso - a prova dos nove para o pediatra saber se o desenvolvimento da criança está dentro do esperado

por Maria Dolores | design Giovanni Tinti | ilustração Félix Reiners

Pais e mães, sobretudo os de primeira viagem, vivem com a pergunta que está lá no alto desta página na cabeça. Cabe ao pediatra esclarecer a dúvida com base em uma tabela que mostra a chamada curva de crescimento — um referencial que valia até os 18 anos de idade. Após uma década de estudos da OMS, a tendência é sair de cena o padrão antigo para dar lugar a um modelo que analisa o desenvolvimento de pequenos só até os 5 anos.

A grande mudança é que pela primeira vez o aleitamento materno é apontado como fator decisivo para avaliar o quanto a criança cresce. "A curva anterior não levava em conta o tipo de alimentação nos primeiros anos de vida", explica o professor Cláudio Leone, pediatra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. "Com o avanço das pesquisas, descobriu-se que a criança amamentada exclusivamente no peito até os 4, 6 meses, que passa a ingerir outros alimentos a partir daí, mas não abandona o leite materno antes de completar 2 anos, tem o crescimento desacelerado entre os 4 e os 18 meses de vida", exemplifica. "Isso é esperado e não deve ser motivo de preocupação, porque depois ela cresce pra valer."

Eis o pulo-do-gato do novo padrão. Isso porque, ao observarem que os filhos passavam a crescer menos por volta do quarto mês de vida, os pais concluíam que o aleitamento materno era insuficiente e ofereciam o leite de vaca como complemento. "Uma complementação desnecessária e que, além do mais, é capaz de levar à obesidade no futuro", opina Leone. Agora o pediatra pode sossegar os mais aflitos com uma informação segura: a interrupção no desenvolvimento é temporária. Não chegar ao topo da curva ou estar abaixo dela não significa necessariamente que seu filho não está se desenvolvendo direito.

Para estabelecer a nova curva foram examinadas seis populações distintas, compreendendo cidades dos Estados Unidos, da Índia e do Brasil, além de países da Europa, Oriente Médio e África. "No nosso país, a cidade gaúcha de Pelotas foi a escolhida por apresentar um conjunto de pequenos habitantes com as características exigidas pelo estudo", justifica o pediatra Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. "É importante ressaltar que tanto a nova curva, como todas as anteriores, é apenas um referencial. Só o pediatra, durante o acompanhamento clínico, vai saber se a criança está ou não se desenvolvendo a contento", ressalta Fisberg. O pediatra Ary Lopes Cardoso, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, reforça essa linha de raciocínio: "Mesmo porque, por mais que a meninada de Pelotas tenha preenchido os requisitos necessários, o Brasil apresenta uma diversidade étnica muito grande, que deve ser considerada".


UMA QUESTÃO HEREDITÁRIA

Não tem jeito. Se a mãe ou o pai for baixo ou se os dois tiverem esse biótipo, dificilmente a criança vai ser alta. "Ainda assim costumo recomendar que se evitem comparações, porque tudo depende do cada caso", diz o pediatra Ary Lopes Cardoso. A genética, é claro, determina um padrão de crescimento, mas nada é tão simples. "É preciso avaliar se os pais têm baixa estatura por questões hereditárias ou por influência do meio externo", ressalta o pediatra. Por exemplo: o pai pode apresentar genes de um indivíduo alto, mas ter sofrido uma deficiência nutricional na infância, ficando baixinho. O ambiente conta, sim. E aí, além da alimentação, entram fatores como vacinas, condições socioeconômicas e até o estilo de vida. Hábitos saudáveis influenciam na altura com que alguém ficará na fase adulta. 

 
 
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