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Um profissional bem preparado na certa irá recebê-la de forma acolhedora, mas a estreante só vai se abrir de verdade e contar o que sente se estiver à vontade. "Não se deve prestar atenção apenas nos sinais físicos da puberdade", ressalta Albertina, "mas também nas emoções, nas dúvidas, nas preocupações com 0 novo corpo que vai surgindo. É nessa fase que a menina constrói a auto-imagem que, se for positiva, leva à auto-estima."
Você pode ajudar a fazer dessa primeira visita ao ginecologista uma experiência positiva se for amiga de sua filha e estiver disposta ao diálogo. A ginecologista Carolina Carvalho, que trabalha com sexualidade de mulheres e adolescentes na Universidade Federal de São Paulo, acha que uma boa conversa é o caminho. "Fundamental em todas as relações humanas, entre mãe e filha, então, nem se fala. O ideal é que aconteça desde a infância."
A grande dúvida que fica martelando a cabeça da mãe, sobretudo se ela for ansiosa, é se deve ou não estar presente no momento da consulta. Bem, o código de ética médica diz que é preciso respeitar a individualidade e a privacidade da paciente, mas nem precisava um conjunto de regras escritas para dar esse toque, certo? Basta bom senso para entender que a garota é quem deve decidir. "É importante a mãe dar liberdade para a filha determinar o grau de privacidade que deseja, mas às vezes percebo que ela tem vergonha de pedir à mãe que saia da sala. Então eu mesma peço. A mãe precisa respeitar o segredo médico que tenho com a adolescente", pondera Carolina.
Ficar do lado de fora não torna o papel do adulto menos importante. "Ao contrário. É uma demonstração de respeito que deixa a menina mais segura." Quem faz essa recomendação é Karina Mendes, uma garota de 17 anos que foi pela primeira vez ao ginecologista com 12. "Minha mãe sempre me perguntou se eu queria que ela ficasse ou saísse da sala. Hoje eu conto tudo a ela. É minha melhor amiga."
Albertina diz que para a mãe deve ser motivo de orgulho levar a filha ao ginecologista. "Ela tem uma participação importante na construção dessa nova mulher, que se ama e se cuida." A ginecologista lembra que a idade média da primeira menstruação no estado de São Paulo está em torno dos 12 anos e que uma abordagem mais acolhedora no consultório, enfatizada desde 1998, conseguiu reduzir o índice de gravidez na adolescência em 28%. Nesse estado, foram 148 019 casos em 1998 e, em 2004, 106 737. Os dados mostram que a adolescente precisa estabelecer vínculos de confiança para se cuidar. Só informações não bastam. Por isso é importante que você pergunte à sua filha como ela pensa escolher o primeiro ginecologista. Se quer ir ao mesmo profissional que atende você ou se prefere outro. Deixe-a à vontade para decidir se será um médico ou uma médica — nada de impor sua vontade.
Feito isso, fique tranqüila. De acordo com o professor Jorge Souen, chefe do setor de oncologia ginecológica e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a primeira consulta pode se limitar a uma conversa que prepare psicologicamente a menina para um futuro exame. "O mais importante é o médico não constranger a paciente e não forçar o exame íntimo, caso contrário acabará criando um trauma capaz de repercutir pelo resto da vida."
PARA SE LIGAR
A partir dos 8 anos podem surgir os primeiros sinais da puberdade nas garotas.
• As mamas e os primeiros pêlos despontam. Em geral a menstruação acontece de dois a três anos depois. Mamas desenvolvidas e pelinhos enrodilhados sinalizam que a qualquer momento sua filha pode menstruar.
• Muitas vezes o suor se modifica. A própria menina nota que cheira diferente ou você sente isso.
• Ela começa a crescer rapidamente. É o início do famoso estirão, fácil de observar pelas roupas que perde num piscar de olhos.
• Se mamas e pêlos surgem antes dos 8 anos, pode ser caso de puberdade precoce. Mas, se esses sinais só derem as caras depois dos 14, é preciso investigar as causas com o ginecologista.
PALAVRA DE ESPECIALISTA
A médica Carolina Carvalho sugere atitudes que ajudam a driblar dificuldades em diferentes situações:
1. A menina não se abre com você ou você é quem não se sente à vontade para iniciar a conversa.
Compartilhar algo de sua própria intimidade facilitará o diálogo. Vale desde um comentário sobre timidez na época de namoro até falar de cólicas ou tensão pré-menstrual. É a oportunidade para perguntar se a garota tem os mesmos problemas sem se mostrar invasiva.
2. Sua filha já menstruou e continua difícil para as duas tocar no assunto.
Para começo de conversa, sugira a ida ao médico como quem não quer nada, sem dar muita ênfase ao exame ginecológico. Não custa lembrar que, quando criança, nunca deixou de levá-la ao pediatra. Deixe claro que a visita ao médico é importante para checar a saúde em geral e esclarecer as questões ligadas à menstruação. E, antes da consulta, deixe o médico a par da situação.
3. Você sabe que a garota tem vida sexual ativa, mas ainda não visitou um ginecologista.
É hora de explicar que às atitudes de adulto,como o início da vida sexual, correspondem responsabilidades de adulto, como evitar doenças e gravidez indesejada.
SERVIÇO
Para obter os endereços da Casa do Adolescente no estado de São Paulo, é só ligar para o Disque-Adolescente: (11) 3819-2022. O serviço, criado para esclarecer dúvidas, atende das 11h às 14h.
Produção Alessandra Ravizza / Kristina K. Procopio Sports |
Cabelo e maquiagem Erick Santos (BLZ)
Natalia Souza de Oliveira tem 13 anos e acaba de fazer sua primeira visita ao ginecologista, em São Paulo. Desde os 10 sua mãe conversa com ela sobre as mudanças que ocorrem no corpo das meninas. “Senti vergonha, mas estava tranqüila. Minha mãe me explicou como é o exame e disse que é bom para a saúde. Vou me cuidar para viver sossegada meu tempo de criança e, mais tarde, não quero ter filhos antes de me casar.”
Há cerca de um ano, Jordenia Alem dos Santos Pereira, hoje com 14, passou pela primeira consulta com um ginecologista. Contava com poucas informações sobre assuntos ligados à saúde da mulher, trocadas apenas entre colegas da mesma idade. “Fiquei um tanto assustada, porque não tinha a menor idéia de como era feito o exame nem sabia que precisava tirar a roupa.”
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