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Bate, coração

Graças a uma parceria com o famoso Incor, exames modernos - os mesmíssimos usados para flagrar males cardíacos em seres humanos - garantem vida longa aos cachorros

por Adriana Toledo | design Eder Redder | foto Omar Paixão

E pensar que o maior centro de cardiologia da América Latina, o Instituto do Coração, em São Paulo, está desenvolvendo um projeto de reabilitação cardíaca para cães. É isso mesmo. Em parceria inédita, o Incor e o Hospital Veterinário Sena Madureira, também na capital paulista, elaboraram um programa que permite aos cachorros acesso a exames que antes só eram aplicados em pacientes humanos.

"Além dos mais comuns, como raio-x, ecocardiograma e eletro, fazemos o eco com doppler — que é mais preciso —, o teste de esforço e análises de sangue para detectar lesões cardíacas", conta o cardiologista veterinário Mário Marcondes, um dos responsáveis pelo programa, cuja finalidade é estudar a resposta do organismo animal a esse tipo de tratamento. "Após o diagnóstico, o dono do cachorro é orientado sobre exercícios físicos, dieta e medicamentos", completa.

Para Sarah, a poodle de 10 anos que aparece nesta reportagem, a batelada de exames fez a diferença. Há poucos meses, durante uma consulta de rotina, o veterinário identificou um problema na válvula mitral do seu coração — o que é popularmente conhecido como sopro. Logo que soube do programa, sua dona, a advogada Maria Elisa Bontempo, de São Paulo, correu para inscrevê-la. Hoje Sarah faz exercícios monitorados e dieta, além de tomar remédios. Os resultados são animadores. "Antes ela vivia cansada. Agora está cheia de disposição e adora passear", nota Maria Elisa.

"Apesar de incuráveis, as doenças cardiovasculares podem ser controladas para retardar sua evolução", afirma a veterinária Maria Helena Larsson, da Universidade de São Paulo. Nos cães, as mais comuns são insuficiência da válvula mitral, que acomete principalmente as raças pequenas, e a miocardiopatia dilatada, cujas vítimas preferenciais são os grandalhões.

Em alguns casos, o animal já nasce com a lesão. No entanto, na maioria das vezes ela é adquirida. Culpa dos maus hábitos, igual ao que acontece com o homem. "Aí a doença cardíaca costuma aparecer perto dos 5 anos de idade, mas os sintomas só se manifestam por volta dos 8", diz o veterinário Ronaldo Jun Yamato, das Faculdades Metropolitanas Unidas, em São Paulo. "Acreditase que haja uma influência racial ou hereditária, mas a alimentação incorreta também costuma ser vilã", avisa. Maria Helena Larsson recomenda que o coração do animal seja examinado uma vez ao ano. Assim, é possível flagrar lesões a tempo. Também não se pode deixar passar despercebidos alguns sinais importantes (veja o quadro abaixo). E então, é correr para a clínica.

As doenças cardíacas precisam ser tratadas com medicamentos. "Vasodilatadores, betabloqueadores e diuréticos são os mais utilizados", afirma Mário Marcondes. Sem contar as famosas mudanças de estilo de vida, que incluem muito exercício — este, perdão pelo tracadilho, é bom pra cachorro. "Mas precisam ser monitorados", avisa. Porém, se o bichinho estiver em plena crise cardíaca — e isso você percebe pelos sintomas —, a recomendação é repouso, sob a orientação do veterinário. Se o seu animal é cardíaco e você está em São Paulo, as inscrições para participar do programa vão até agosto. Basta ligar no Hospital Sena Madureira e agendar uma avaliação. Anote o número: (11) 5572-8778.

FAREJANDO O PERIGO

A veterinária Maria Helena Larsson relaciona os sintomas que merecem atenção
• Tosse persistente
• Cansaço fácil
• Dificuldade para respirar
• Coloração escura-azulada na língua
• Inchaço nas patas

Produção Alê Ravizz | Hospital Veterinário Sena Madureira 

Fevereiro 2006

A poodle Sarah durante uma sessão de exercícios na esteira
 
 
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