Dieta dos pontos Leia, use, aprenda a comer de tudo e emagreça de vez (com muito prazer!)
| 1. O paciente é examinado no aberrômetro... | IMAGEMTXT |
| 2. ...que envia mais de mil pontos luminosos, através da córnea e do cristalino, até o fundo do olho. As ditas aberrações desviam alguns dos feixes de luz... | IMAGEMTXT |
| 3. ...tanto no trajeto de ida quanto no de volta. É feito um mapa desses defeitos para apontar exatamente como a córnea daquele indivíduo precisa ser lapidada. | IMAGEMTXT |
O nome técnico da nova operação é cirurgia guiada pela análise de frente de onda. Nos consultórios e nas clínicas, tornou-se conhecida simpesmente como cirurgia personalizada, porque, além de corrigir miopia, hipermetropia ou astigmatismo, resolve imperfeições peculiares de cada indivíduo. O procedimento é o mesmo da cirurgia tradicional —
mas acrescido de uma etapa anterior. Antes de se sujeitar ao laser, o paciente é examinado por um aparelho ótico chamado aberrômetro (veja como funciona nas páginas anteriores). O equipamento faz um mapa dos pontos imperfeitos para guiar o laser, que esculpe a córnea para compensar todo e qualquer desvio. "O objetivo é garantir boa qualidade de visão, especialmente em condições de penumbra", diz a oftalmologista brasileira Maria Regina Chalita, que pesquisa a técnica desde agosto de 2001 na Clínica Cleveland, nos Estados Unidos — centro pioneiro na técnica. Aberrações se manifestam mais no escuro, como fantasmas, porque é quando a pupila está mais dilatada para captar luz. No claro elas são menos expressivas. Daí o cérebro, ao receber a imagem com pequenas distorções, incumbe-se da tarefa de corrigi-las.
Tecnologia promissora
A FDA, agência governamental encarregada de aprovar novos tratamentos nos Estados Unidos, deu o seu aval à técnica no final do ano passado, quando só uma empresa detinha a tecnologia do aberrômetro. Neste ano, porém, liberou a fabricação de aparelhos de duas outras empresas. Mais de 50 mil americanos já experimentaram a cirurgia personalizada. "Ela é promissora porque permite diagnosticar necessidades de correção visual de cada pessoa e tem poucas complicações", diz à SAÚDE! Douglas Koch, professor de oftalmologia do Baylor College of Medicine, em Houston, Texas.
A técnica, por enquanto, só foi autorizada para cirurgias que corrigem graus leves de miopia, astigmatismo e hipermetropia. A pesquisadora Maria Regina Chalita trabalha no estudo clínico, feito pela FDA, da aplicação do método em graus elevados e também em olhos submetidos anteriormente à cirurgia a laser. A cirurgia chegou ao Brasil neste ano e está disponível em clínicas de várias capitais. Começou a ser testada no início de fevereiro
no Instituto da Visão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Como era um estudo experimental, operava-se um olho do paciente com a técnica personalizada e o outro olho com a convencional, para evitar que efeitos ainda desconhecidos comprometessem os dois lados. "Mas os pacientes conseguiam apontar exatamente qual era o olho da cirurgia personalizada, de tão melhor que ficava a visão", conta o cirurgião Mauro Campos, da Unifesp. Como os resultados sempre eram excelentes, a partir de agosto passou-se a operar os dois olhos do jeito personalizado. "Não fazia mais sentido privar as pessoas do benefício", diz Campos. Até o fechamento desta edição, 160 pacientes já haviam sido operados assim só na Unifesp.
A cirurgia personalizada é uma das áreas emergentes da pesquisa oftalmológica. Neste ano, aconteceu a quarta edição de um congresso internacional que reúne seus estudiosos. É cedo para ter certeza, mas ela representa uma promessa que pode mudar radicalmente a abordagem dos problemas da visão. Em tese, até pessoas sem nenhum grau de distorção na vista poderiam se beneficiar da técnica e enxergar até 20% melhor, livrando-se de suas aberrações — isso mesmo, adquirir uma visão sobrehumana, de águia mesmo. Esse conceito polêmico, o da supervisão, ainda é olhado com reservas — afinal, implica na possibilidade de operar até quem não tem nada ou quase nada. "Nós não usamos o termo supervisão, pois dá uma falsa idéia do objetivo dessa técnica", ressalta a oftalmologista Maria Regina Chalita. "Ela também está sendo usada, isso sim, para aperfeiçoar lentes de contato e lentes intra-oculares implantadas na cirurgia de catarata", completa.
Custos elevados O fato de o aberrômetro fornecer um mapa único e detalhado de cada globo ocular não dispensa profissionais experientes e lasers modernos para que a cirurgia tenha ótimos resultados. E, diga-se, a técnica é cara. O custo do tratamento é pelo menos 25% maior do que o da cirurgia corretiva convencional. Se o melhor equipamento de laser custa hoje 1,8 milhão de reais, o aparelho dotado de um aberrômetro não sai por menos de 2,25 milhões de reais. A tendência, porém, é que sejam incorporados à rotina das cirurgias a laser — que já cativaram 500 mil brasileiros.
As cirurgias refrativas NÃO são recomendadas se...
(Orientações para quem pensa em se submeter a uma delas)
1- Meu grau é alto. As cirurgias apresentam bons resultados para quem tem até 7 graus de miopia, até 5 de hipermetropia e até 5 de astigmatismo. Acima disso, podem causar um desgaste excessivo da córnea, deixando o globo ocular vulnerável.
2 - Sou avesso a riscos. Complicações sérias acontecem em menos de 1% dos casos, mas...
3 - A cirurgia é muita cara. No Brasil, o custo médio da operação convencional é de 2,5 mil a 3 mil reais cada olho. Convênios médicos só são obrigados a cobrir operações corretivas para graus elevados: 7 graus de miopia, por exemplo.
4 - No último ano, o grau de minhas lentes mudou. É a instabilidade refrativa, comum nos menores de 20 anos, em diabéticos com flutuações hormonais, grávidas e mulheres que estão amamentando.
5 - Tenho males que favorecem complicações pós-cirúrgicas, como diabete, doenças auto-imunes como artrite, e aids, que compromete o sistema imunológico. Sem falar em quem sofre ou
sofreu de males ou lesões nos olhos ou foi submetido a outras cirurgias no globo ocular.
6 - Minha córnea é excepcionalmente fina. A estrutura da córnea pode ser incompatível com a operação, mesmo se o grau for baixo.
7 - Meus olhos são muito ressecados e estou sempre pingando colírios. A cirurgia tende a agravar a irrigação escassa.
O mundo sem óculos
Como a operação de miopia, hipermetropia e astigmatismo ganhou espaço em seis países.
Canadá
O país faz cirurgias há mais de 15 anos e opera 100 mil indivíduos anualmente, entre eles muitos americanos atraídos por pechinchas (algumas clínicas canadenses cobram só 999 dólares para operar os dois olhos).
Estados Unidos
São os recordistas mundiais nessas cirurgias: 2 milhões só no ano passado. Também é o lugar onde elas custam mais caro. A operação em cada olho custa entre mil e 2 mil dólares.
Brasil
Nos últimos dez anos, cerca de 500 mil brasileiros se submeteram às cirurgias refrativas. De cada quatro operações feitas fora dos Estados Unidos, uma acontece no Brasil.
Alemanha
Os alemães têm direito a receber óculos de graça do governo. Atribui-se esse benefício à escassa popularidade das cirurgias. Mas isso tem mudado: 50 mil operações foram feitas em 2002.
Austrália
A técnica estreou no país em 1991. Hoje, 25 mil australianos submetem-se às cirurgias a cada ano. Elas são realizadas por mais de 400 médicos especializados.
Japão
Pioneiro em pesquisa, o país começou a estudar o laser nos anos 1950. Só há pouco a aplicação em massa da técnica foi permitida por lá. A miopia acomete 70% dos orientais, mais do que o dobro da incidência entre os ocidentais.


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