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Novas imagens do coração

Exames como a tomografia e a ressonância magnética invadem o mundo da cardiologia para ajudar a flagrar, de maneira não invasiva, muitos males do peito

por TITO MONTENEGRO I design ALESSANDRA SILVEIRA I ilustrações EDER REDDER

Está em curso uma revolução na maneira como os médicos descobrem doenças no coração. Seus protagonistas são dois exames bastante conhecidos, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. Considerados fundamentais para identificar vários problemas de traumatismos a tumores , esses métodos de diagnóstico por imagem ganharam também a confiança dos cardiologistas. Isso porque estão cada vez mais precisos. No caso da tomografia, os avanços foram notáveis nos últimos dois anos, quando surgiram equipamentos com 16 detectores. Os mais modernos do gênero, que começam a chegar ao país, já utilizam 64 detectores para oferecer uma resolução de altíssima qualidade, como a da imagem ao lado. "Assim é possível detectar o estreitamento e o bloqueio das coronárias de maneira não invasiva", conta o pesquisador Andrew Arai, do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos.

Hoje a técnica mais confiável para avaliar a saúde dos vasos sangüíneos que abastecem o coração é a angiografia, na qual se introduz um cateter em uma artéria da perna que é, em seguida, conduzido até o coração. Ou seja, é invasivo. E, no final, metade dos pacientes não apresenta lesões graves nos vasos que justifiquem, por exemplo, uma cirurgia. No caso, o estresse da angiografia serve apenas para descartar a doença. Esse papel será ocupado pelos novos equipamentos de tomografia. A imagem obtida pelo tomógrafo pode recomendar providências, como uma operação de safena ou uma angioplastia, para evitar o pior: o ataque cardíaco. "A tendência para o futuro é de que o cateterismo seja utilizado só nos episódios em que persistirem dúvidas e também com fins
terapêuticos", acredita Ivo Nesralla, presidente do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul.

TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADAIMAGEMTXT

É a técnica mais promissora para identificar o estreitamento e o bloqueio das coronárias, os vasos que irrigam o coração. O paciente recebe uma injeção de contraste para evidenciar as veias e artérias. Em seguida passa por um scanner de raio-x que captura múltiplas imagens do coração. Essas imagens são processadas por um computador que as reconstrói tridimensionalmente, resultando em um retrato preciso da situação cardíaca. Uma das únicas limitações é não ser recomendada para criança cardíacas, por causa da radiação.

Desenvolver novos contrastes para responder a dúvidas mais específicas a respeito da saúde de um coração é o desafio para os próximos anos


Se a principal utilidade da tomografia é flagrar encrencas nas coronárias, a ressonância magnética não fica atrás quando o assunto é verificar como anda o funcionamento do coração como um todo. "Essa tecnologia oferece imagens de excelente qualidade para avaliar a gravidade e as conseqüências de um infarto", explica Andrew Arai. A ressonância é capaz de determinar a saúde do músculo cardíaco. "Ela se presta muito bem para observar se ele está recebendo pouco sangue", afirma o cardiologista Carlos Eduardo Rochitte, da Coordenação de Diagnóstico por Imagem do Instituto do Coração, na capital paulista. "Por isso, atualmente já é considerada a melhor maneira de qualificar a função cardíaca."

Tantas novidades não aposentarão os exames tradicionais. Os recursos existentes continuarão sendo usados para oferecer mais qualidade aos diagnósticos (veja os quadros nesta página). O ecocardiograma permanecerá essencial para identificar problemas anatômicos, por exemplo. "Esse exame mede as cavidades internas do coração, mostra como estão funcionando e indica a gravidade e a repercussão dos problemas nas válvulas cardíacas", resume o cardiologista Valdir Ambrósio Moisés, da Universidade Federal de São Paulo e do Laboratório Fleury, na capital paulista. Até mesmo o eletrocardiograma com um século de serviços prestados ainda será útil. Barato e disponível em qualquer serviço de saúde, ele indica irregularidades no ritmo do coração e pode apontar até mesmo o local de ocorrência de um infarto.

DIAGNÓSTICO MAIS SEGURO
O que não faltará serão opções. Por isso, descobrir eventuais males cardíacos cada vez mais cedo será considerado uma obrigação dos especialistas. "Com essa gama de exames torna-se bem mais fácil fazer um diagnóstico seguro", diz o cardiologista Antônio Sérgio Tebexrene, da Unifesp. "Mas não podemos esquecer que a clínica é soberana e uma boa consulta é fundamental." A soma desses dois elementos capacidade médica e alta tecnologia só pode levar a um resultado de mais saúde para o coração.


RESSONÂNCIA MAGNÉTICAIMAGEMTXT
Ela produz um campo magnético que provoca uma vibração. Isso deflagra a emissão de ondas de rádio que são captadas pelo equipamento. Os sinais, então, são processados por um computador e transformados em imagens tridimensionais. O teste é capaz de mostrar de maneira exata as áreas do coração que estão recebendo sangue de menos e problemas na artéria aorta, além de doenças congênitas. Por causa do campo magnético, usuários de marca-passo e stent não podem ser submetidos a ela.




CINTILOGRAFIAIMAGEMTXT

Esse exame do miocárdio, do ramo da Medicina nuclear, vale-se de uma substância radioativa injetada na circulação. Em seguida o paciente passa por um cilindro que capta raios gama e, aí, torna-se possível ver como o sangue circula pelo músculo cardíaco. Assim, pode identificar regiões que não estão recebendo esse líquido vital da maneira correta. Em geral a cintilografia é realizada em duas etapas uma em repouso e a outra quando o paciente é submetido a um estresse físico. Daí, compara-se a resposta cardíaca nos dois momentos.


ECOCARDIOGRAMAIMAGEMTXT
Ondas de ultra-som são emitidas rumo ao coração. Um computador analisa as imagens e determina o tamanho, a forma e o movimento das estruturas internas do órgão. Assim como a cintilografia, envolve duas fases: uma em repouso e outra sob estresse, que pode ser físico (esforço) ou estimulado por uma substância química. A resolução das imagens não é suficiente para que se possa ver as coronárias. Mas problemas anatômicos, como um mau funcionamento das válvulas, têm nele o método de diagnóstico mais eficaz.


ELETROCARDIOGRAMAIMAGEMTXT
Ele é o vovô da turma. Trata-se do mais antigo teste cardíaco ainda em utilização. O eletro, como é mais conhecido, capta os impulsos elétricos que regulam o bombeamento de sangue pelo coração e apresenta as informações em forma de um gráfico. O exame pode alertar para danos no tecido cardíaco um infarto, por exemplo ao revelar algum desvio em relação ao ritmo normal.


ANGIOGRAFIA CORONARIANAIMAGEMTXT
Trata-se do popular cateterismo, exame que é tido como "padrão ouro" para detectar problemas nas coronárias ou seja, ainda é o método mais preciso e confiável. Nele, um cateter é inserido através de uma artéria da perna e levado até o coração. Em seguida, um constraste é injetado por ali. As imagens são obtidas por meio de raios-X. Como se trata de um procedimento invasivo, complicações sérias podem ocorrer em cerca de 1% dos casos.

 
 
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