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De mal com o TRONINHO

Seu filho sofre para fazer cocô? Não deixe passar batido. O problema é sério, mas um ajuste na dieta costuma ser suficiente para pôr a digestão em uma rotina saudável

por GABRIELA CUPANI | design ROBSON QUINAFÉLIX | foto OMAR PAIXÃO

Mãe que é mãe (e pais atentos também, claro) entra em alerta ao menor sinal de diarréia. Mas poucas, pouquíssimas pessoas disparam para o pediatra quando ocorre o inverso. Uma pena. O intestino preso deveria preocupar tanto quanto o solto demais. "A demora em procurar o médico gera complicações", lamenta a pediatra Rosane Gomes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Afinal, a constipação é coisa séria, capaz de detonar desde dores até conseqüências mais graves, como sangramentos e fissuras anais.

Não são poucas as crianças que sofrem para ir ao banheiro. "E os casos estão aumentando", constata Yu Koda, responsável pela unidade de gastroenterologia do Instituto da Criança, em São Paulo. Não à toa: 95% deles se devem à má alimentação e todo mundo está careca de saber que o cardápio infantil anda cada vez mais recheado de massas e guloseimas e pobre em fibras, as grandes responsáveis pelo bom funcionamento do intestino. Por causa disso, essa função vem sendo prejudicada cada vez mais cedo, logo que o bebê sai do peito ou, no máximo, no segundo ano de vida. "Muitas vezes trata-se de um erro familiar", nota a nutricionista Karine Freitas, do ambulatório de constipação infantil da Universidade Federal de São Paulo.

Sem o estímulo dos alimentos, o intestino fica preguiçoso. As fezes acumuladas se tornam duras e ressecadas, o que dificulta ainda mais a saída. O desconforto na hora de ir ao banheiro é tanto que a criança começa a se recusar a sentar-se no troninho, prendendo a evacuação. "Os fatores psicológicos geralmente são conseqüência da constipação, e não o inverso", nota Rosane, autora de um estudo sobre o tema.

Descartadas as doenças que podem levar à prisão de ventre, um ajuste na alimentação costuma pôr o intestino para trabalhar direito. A receita é carregar nas doses de fibras. Às vezes é preciso lançar mão de alguns suplementos e de remédios específicos, mas só até normalizar a função e com indicação médica, olha lá! Outras medidas simples, como levar a criança ao vaso em horários regulares, também ajudam. Mas para que tudo funcione direitinho, literalmente, os especialistas reforçam: o empenho dos pais é fundamental.

DA FRALDA PARA O PENICO
Essa passagem exige certo zelo

Antigamente acreditava-se que os casos de intestino preso tinham sua origem nos traumas gerados por um treinamento higiênico malfeito. Hoje sabe-se que não é bem assim. Em geral o problema se instala bem antes ou até mesmo bem depois dessa fase, quando a criança já se acostumou com o novo hábito. Se os pais encararem tudo de um jeito leve, o pequeno vai vencer o desafio de tirar a fralda numa boa. Mas é importante respeitar o momento certo de começar o treino, sem forçar a barra se o filho ainda não estiver maduro essa maturidade chega entre 1 ano e meio e 2 anos de idade. E, claro, nem pense em dar bronca diante dos inevitáveis acidentes.

OBSERVE DIREITO

Não basta contar o número de vezes que a criança se senta no vaso. Ela pode estar constipada se....

As fezes são duras, ressecadas, em formato de bolinha
Dá sinais de dor ou desconforto ao evacuar
Vai ao banheiro menos de três vezes por semana

CARDÁPIO EM PROL DO INTESTINO
Uma dieta bem equilibrada dá conta do recado

O cálculo é o seguinte: 5 gramas mais a idade da criança em anos. O resultado é a porção de fibras de que ela precisa diariamente a partir do segundo aniversário. Não é difícil atingir a cota: uma alimentação equilibrada, rica em frutas e verduras, supre essa quantidade. E alimentos com sementes, como o morango, ou com bagaço, como a laranja, dão um empurrão extra no intestino. Antes disso, as papinhas dos bebês devem incluir muitas folhas. E não se esqueça de oferecer líquidos também. Para os maiorzinhos, dê os sucos sem coar.

Confira alguns exemplos:
Feijão - 2 colheres de sopa - 2 g
Aipim - 2 colheres de sopa - 2,5 g
Vagem - 2 colheres de sopa - 2 g
Mamão - 1 fatia pequena - 2 g
Maçã - 1 unidade pequena - 2 g
Aveia - 1 colher de sopa - 1,8 g

Novembro 2005

Logo que as papinhas entraram no cardápio do pequeno Felipe, hoje com 1 ano e 1 mês, o intestino ficou preguiçoso. “O cocô era duro e pequeno”, lembra-se a mãe, a comerciante Rosana Chen. Foi preciso até fazer lavagens intestinais. “Acho que eu não incluía muitas folhas na receita”, pondera Rosana. “Graças a Deus conseguimos acabar com o problema corrigindo essa falha no cardápio”, conta, aliviada.
 
 
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