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Medicina MATÉRIA

INFARTO com diagnóstico ultraprecoce

Eis a promessa de um novo teste que está chegando aos prontos-socorros brasileiros. Por meio dele é possível saber com grande precisão a verdadeira causa de dores no peito que levam muita gente ao hospital

por FÁBIO DE OLIVEIRA I design THIAGO LYRA I infográfico EDER REDDER

Um misto de pavor e desconforto e que desconforto! Assim pode-se resumir uma das cenas mais rotineiras nas salas de emergência dos hospitais: o indivíduo chega ali acometido por uma baita dor no peito, um dos sinais clássicos de infarto. Mas nem sempre o mal-estar é sinônimo de tamanha encrenca. "Até espasmos nos vasos sangüíneos podem provocar dores torácicas", revela o cardiologista Ricardo Pavanello, do Hospital do Coração, em São Paulo. "Às vezes, por um excesso de zelo, vários pacientes com o sintoma acabam internados sem uma razão precisa."

No entanto, um novo teste sangüíneo promete esclarecer dúvidas, evitando estadias hospitalares desnecessárias. Batizado de IMA, sigla em inglês para albumina modificada pela isquemia, ele revela se essa proteína apresenta algum tipo de alteração, sinal de um processo isquêmico, ou seja, de um bloqueio na passagem de sangue pelo vaso por trás da dor. "O teste, que possui 75% de acurácia, tem sido útil para o diagnóstico precoce do infarto, sinalizando a isquemia antes da morte do músculo cardíaco", diz o cardiologista Evandro Tinoco, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, que está avaliando o método.

IMAGEMTXT1. FLUXO INTERROMPIDO
Feito uma pedra no caminho, a placa de gordura diminui a passagem de sangue num trecho do vaso. É a isquemia, que se caracteriza pela falta de oxigênio na área que deixou de ser irrigada. O pH sangüíneo fica mais ácido naquele local e um mineral, o cobre, se desliga de uma das proteínas encarregadas de transportá-lo.


IMAGEMTXT2. MINERAL ENCRENQUEIRO
Livre, leve e solto, o cobre arma o maior barraco: é o responsável por deflagrar uma reação em cadeia que vai resultar na produção dos danosos radicais livres de hidroxil (H2O2).


IMAGEMTXT3. ATAQUE À PROTEÍNA
Os amaldiçoados radicais livres começam a aprontar das suas: como são instáveis, precisam dos elétrons de outras moléculas para se estabilizarem. Daí, preferem atacar a albumina, modificando sua estrutura.


IMAGEMTXT4. MOLÉCULAS ALTERADAS
Isso dá origem à IMA, ou albumina modificada pela isquemia. É ela que pode ser detectada na amostra de sangue, se o paciente com dor no peito estiver realmente à beira de sofrer um infarto.

OLHE O NÍVEL!

TAXAS ALTERADAS
Acima de 105 unidades/ml. "Costumam indicar isquemia", avalia Rogério Rabelo, assessor médico do laboratório Fleury, em São Paulo.

ZONA CINZENTA
Entre 85 unidades/ml e 105 unidades/ml. Ainda não se sabe como interpretar um resultado nessa faixa.

TAXAS NORMAIS
Até 85 unidades/ml. Esse dado, além de valores normais da enzima troponina, sem falar no baixo risco para males cardiovasculares, afastam a hipótese de isquemia como causa da dor no peito.

 
 
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