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O trabalho — inusitado — envolveu 12 crianças de até 3 anos. Inusitado porque consistiu em submeter três dos pequenos pacientes a uma otoplastia unilateral. Por um período de 46 a 63 meses, os especialistas observaram o crescimento da orelha operada e o da não operada. Conclusão: não houve alteração no tamanho nem deformidade naquela que passou pelo procedimento. Nas demais crianças o êxito foi quase completo. Só uma delas voltou a ter orelha de abano.
Apesar dos bons resultados, é de se perguntar: convém submeter gente tão pequena a uma cirurgia, por mais simples que seja? Esse tipo de procedimento não serviria mais para aplacar a ansiedade dos pais do que para poupar a criança do estigma que costuma acompanhála se tiver as chamadas orelhas de abano?
Os especialistas brasileiros são unânimes em recomendar que se espere até 6 ou 7 anos. "Não que a otoplastia seja proibida antes disso, mas é preciso levar em conta fatores físicos e psicológicos", opina o cirurgião plástico Helton Traber, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Com menos de 4 anos, a criança não se deu conta de que tem as orelhas protuberantes e, portanto, ainda não enfrenta os problemas de rejeição que costumam afetar os mais velhos."
Sejamos claros: os muito pequenos, como os que foram testados no estudo americano, precisam ser submetidos a anestesia geral, um procedimento que não está isento de riscos. E ainda é preciso levar em conta o pós-operatório, muito mais tranqüilo nas crianças com seus 7, 8 anos. "Nessa faixa eles já são cooperativos na hora de trocar os curativos e tirar os pontos", lembra Fábio Aki, chefe do grupo de reconstrução da orelha do Hospital das Clínicas de São Paulo. "E esse é outro fator que contribui para o sucesso da operação." Dá certo em 99% dos casos.
Adesivo nelas
Vovós e mamães têm razão quando cuidam para não dobrar as orelhas do bebê, com medo de que fiquem deformadas. Há até quem use adesivos para tentar corrigi-las. No Japão, cirurgiões plásticos utilizam moldes e curativos modeladores nas orelhas de abano de recém-nascidos e observam que a técnica tem 100% de sucesso quando aplicada nas primeiras 12 horas após o parto. "Nesse período a cartilagem está mais flexível e pode ser moldada, porque sofreria a ação do estrogênio da mãe", explica o cirurgião plástico Fábio Aki. Depois disso o hormônio feminino é eliminado pelo bebê e a cartilagem vai endurecendo.
Há dois anos Renata Gonçalves de Arruda, hoje com 9, passou por uma cirurgia plástica para corrigir as orelhas de abano antes mesmo de ser vítima das primeiras brincadeiras e dos apelidos. “Estava preocupada com os problemas que ela poderia ter na escola, principalmente na adolescência. Por isso preferi me antecipar e deu muito certo”, conta a comerciante Cricia Gonçalves, de Santos, no litoral paulista.
Entenda a OtoplastiaA distância entre a orelha e a cabeça é calculada por ângulos. Quando ultrapassados, a cartilagem é projetada para a frente e as orelhas tornam-se proeminentes. Para reposicioná-las, o médico faz uma incisão na parte de trás. Depois, com cinco pontos ele as leva para perto do crânio. O procedimento dura duas horas e a recuperação é rápida. No primeiro dia o paciente utiliza um curativo em forma de capacete. Depois o local é protegido com uma faixa. Os pontos são tirados em cerca de dez dias e o resultado aparece em um mês.
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