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IMAGEMTXTMais do que uma atitude imprudente, é um verdadeiro atentado à saúde. A pílula do dia seguinte chega a ter dez vezes mais hormônio que as convencionais. Abusar dela pode causar danos graves, como câncer de mama e de útero, problemas em uma futura gravidez, além de trombose e embolia pulmonar. "Um estudo de minha autoria com 136 meninas entre 11 e 20 anos que fizeram uso do remédio e acabaram sendo atendidas no Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou que 48% delas tiveram algum tipo de efeito colateral. Apesar disso, 67% consideraram o método seguro", conta Albertina.
O ginecologista e terapeuta sexual Amaury Mendes Júnior, do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática, tampouco doura a pílula: "Entre o hipotálamo, localizado no cérebro, e os órgãos genitais há um eixo que mantém o compasso do funcionamento do corpo. Hormônio em excesso interfere nesse ritmo". Considere, ainda, que o medicamento só está sendo usado em grandes quantidades há cinco anos. Se nesse espaço de tempo já se conhecem tantos efeitos colaterais, pode se imaginar que muitos mais ainda virão à tona. "São necessários pelo menos outros cinco anos para que todos os prejuízos sejam revelados", estima Albertina Duarte Takiuti.
Ainda não há estudos determinando o que é uma superdosagem, mas a experiência clínica sugere que tomar mais do que uma pílula desses por mês já seria um abuso, apesar de o efeito não ser assim tão acumulativo. "Depois de dois a três dias, a droga é eliminada do organismo", garante a farmacêutica Julieta Ueta, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, no interior paulista.
A contracepção de emergência encerra, ainda, a discussão sobre um suposto efeito abortivo. Será que engolir a pílula do dia seguinte seria interromper uma vida? O Ministério da Saúde, que distribui o comprimido e uma cartilha sobre o assunto, defende por mais confuso que possa parecer que a vida não começaria com a fecundação, ou seja, com aquele encontro do óvulo com o espermatozóide. Reza sua cartilha, a gravidez só existe pra valer a partir do momento em que o ovo se implanta no útero para o embrião se desenvolver. A discussão é cheia de nós, até porque mexe com antigos laços da igreja católica.
Outra polêmica, acirrada depois que o Sistema Único de Saúde começou a distribuir gratuitamente a pílula do dia seguinte, refere-se à redução dos abortos clandestinos. E isso seria, em tese, ponto positivo. Não podemos fechar os olhos: a Organização Mundial da Saúde estima que, no Brasil, eles atinjam a cifra de 1,4 milhão de procedimentos anuais,. Só no ano de 2004, 243 998 brasileiras se internaram no SUS para uma curetagem a raspagem do útero a fim de retirar vestígios de embriões abortados.
No mundo ideal, os adolescentes se protegeriam na hora da relação sexual. "Eles conhecem os métodos anticoncepcionais, mas não usam", diz Albertina Duarte Takiuti. E aí vem aquela velha história sobre a importância de se sentirem à vontade para uma boa conversa com os pais sobre sexo. "Não vale um papo careta, com direito a lição de moral, nem forçar intimidade de uma hora para outra", diz Maurício de Souza Lima. "A relação de confiança se constrói no dia-a-dia."
Falta de segurança
"A possibilidade de usar a contracepção de emergência com freqüência favorece a prática do sexo inseguro", pondera o infectologista Caio Rosenthal, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Isso porque, com a certeza de que estão a salvo de uma gravidez indesejada, as mulheres que fazem uso constante da pílula do dia seguinte muitas vezes não tomam a iniciativa de pedir ao parceiro que use a camisinha. A imprudência as expõe a doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, o HPV e a aids. "A grande preocupação dessa turma é mesmo a gravidez. As doenças não recebem tanta atenção", lamenta Rosenthal.
IMAGEMTXTVida barrada
É assim que o remédio evita a gravidez
1. Quando há uma relação sexual sem proteção, pode ocorrer o encontro do óvulo com um espermatozóide.
2. A união resulta na formação do ovo ou zigoto, que se ligará à parede do útero. Ali o embrião começaria a se desenvolver, mas...
3. A pílula engolida no dia seguinte, graças à sua alta concentração hormonal, promove uma descamação da parede interna do útero. Com isso, o ovo não consegue se fixar ali. Escorrega com as células descamadas e é expelido.
Reações adversas
Entenda os efeitos colaterais mais graves da pílula do dia seguinte
Gravidez ectópica
O feto é gerado fora do útero.
"A progesterona presente no remédio retarda a passagem do óvulo pelas trompas, o que pode causar o seu encontro com o espermatozóide em lugar errado", esclarece Amaury Mendes Júnior.
Trombose e embolia
Mais freqüentes em quem já tem predisposição e histórico familiar.
"A grande quantidade de hormônio pode aumentar a viscosidade do sangue, o que facilita a formação de trombos", explica Mendes Júnior.
Câncer de mama
Uma das funções do hormônio feminino é regular o desenvolvimento das células mamárias. Quando há um excesso da substância, as células podem crescer desordenadamente, sobretudo em mulheres com tendência para a doença. Quem tem histórico familiar de tumor no útero também corre mais riscos de vir a sofrer do mal.

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