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Sem se dar por vencidos, três laboratórios se lançaram ao desafio de chegar a vacinas eficazes e, ao mesmo tempo, seguras pra valer. Cada um deles teve de se submeter a uma prova dos nove: um teste em 60 mil crianças, exigido pela Organização Mundial da Saúde. Deu certo. E uma dessas fórmulas, testadas e aprovadas, já será lançada no mercado brasileiro.
Por enquanto a garotada mais velha continuará correndo perigo. A novidade vale mesmo é para os que chegaram por último, já que as doses em princípio se destinam aos menores de 6 meses. "A vacina parece preparar o organismo dos bebês para reagir ao rotavírus, que de fato é mais perigoso se contamina a criança entre 4 meses e 2 anos", diz o virologista Alexandre Linhares, do Instituto Evandro Chagas, em Belém, no Pará. Coube à equipe paraense investigar em 3 218 bebês a resposta imunológica e os efeitos colaterais da vacina Rotarix, fabricada pela Glaxo. Tudo indica que ela seja eficaz, mas certeza mesmo só nos próximos meses, com a conclusão dos trabalhos. "A expectativa é de que, em breve, também saiam pesquisas sobre a imunização de crianças mais velhas", acrescenta o pediatra Marco Aurélio Sáfadi, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.
Tanto esforço para desenvolver a vacina tem razão de ser. Nenhuma outra medida, como saneamento básico e incentivo de boas práticas de higiene, conseguiu impedir a proliferação do rotavírus. O danado é resistente e se reproduz com extrema rapidez. As fezes de um paciente contêm nada menos do que 3 trilhões de vírus por centímetro cúbico! Esses micróbios contaminam mãos, água e alimentos e chegam à próxima vítima por transmissão oral ou aérea. "Hoje sabe-se que o rotavírus fica em suspensão em gotículas de água e pode ser inspirado junto com o ar", explica o virologista Alexandre Linhares.
Depois de entrar no corpo, o micróbio percorre o sistema digestivo e destrói as células da membrana do intestino delgado. "Por isso o órgão pára de absorver água e começa a diarréia", explica Maria Lucia Rácz, virologista da Universidade de São Paulo. O doentinho que dó chega a evacuar mais de 20 vezes por dia, num mal-estar que dura até uma semana.
A internação pode ser necessária, porque os pequenos perdem muito líquido em pouco tempo. Médicos do Instituto de Puericultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro investigaram 100 crianças menores de 5 anos que chegaram ao pronto-socorro com desidratação por diarréia. "Oitenta por cento delas estavam infectadas pelo rotavírus", calcula o infectologista Edimilson Migowski, professor da instituição.
O microorganismo chega a provocar cerca de 600 mil mortes por ano em todo o globo a maioria das vítimas é menor de 5 anos. "Esse cenário vai mudar com a distribuição da vacina", acredita Isaías Raw, presidente da Fundação Butantan, que, a partir de 2007, produzirá 10 milhões de doses todos os anos. É mais do que suficiente para proteger os brasileirinhos.
PARA MAIORES
Apesar da má fama, é bem raro um adulto pegar rotavírus. "Ao chegar a essa fase da vida, a pessoa já está imunizada contra quase todos os tipos desse vírus", garante a virologista Maria Lucia Rácz, da USP. Os desarranjos que pegam os adultos devem-se a uma outra categoria de micróbio os norovírus batizados de Norwalk e Norwalk-like. Sabequando uma família inteira volta de viagem com diarréia? É típico. Quando não tem bactéria na área, são os norovírus na certa. Já se sabe que eles causam a maioria dos surtos de gastroenterite nos Estados Unidos. Por aqui ainda não há dados, mas Maria Lucia está pesquisando a contaminação de alimentos por esses micróbios. Vamos ver.
ARSENAL CONTRA O ROTAVÍRUS
O objetivo dos três imunizantes aprovados é evitar as formas graves de diarréia, que podem levar à desidratação intensa e até mesmo à morte. Entre os mais de 30 sorotipos do vírus, os mais comuns são o G1, o G2, o G3, o G4, o G9, o P4 e o P8

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